Em estudo publicado no Journal of Clinical Investigation, pesquisadores dos Estados Unidos relataram a descoberta de um obstáculo que atrapalha o desenvolvimento de uma vacina contra o HIV, assim como outras vacinas contra doenças provocadas por vírus.
Em 2007, um ensaio clínico, chamado STEP, que testava uma vacina candidata para HIV foi interrompido após mostrar que a vacina não era eficaz. Além disso, análises subsequentes indicaram que a vacina tornou alguns indivíduos mais suscetíveis ao HIV, pois o sistema imunológico reconhecia um componente usado na vacina: um tipo de vírus chamado de Ad5 (adenovírus serótipo 5).
Agora, uma equipe liderada por Juliana McElrath, do Fred Hutchinson Cancer Research Center (EUA), descobriu que algumas pessoas tinham no sistema de defesa células com alta resposta ao Ad5. Esses pacientes produziram uma reação mais fraca em relação ao HIV em comparação com indivíduos que tinham poucas células responsivas ao Ad5 e, por isso, a vacina não foi eficaz.
O atual estudo mostrou também que isso acontece não só com o Ad5, mas também com outros adenovírus usados como componentes de vacinas. Segundo os pesquisadores, este achado sugere que outras vacinas baseadas em Ad5 também podem não ser eficazes em indivíduos com grande número de células T responsivas ao adenovírus.
"Nosso estudo revela o que acreditamos ser uma nova compreensão de como a imunidade viral pré-existente pode impactar a eficácia de vacinas hoje sob avaliação para a prevenção do HIV, da tuberculose e da malária", sugerem os pesquisadores.
A equipe acredita que esses dados terão que ser cuidadosamente avaliados em ensaios clínicos futuros de qualquer vacina baseada em adenovírus, não apenas em Ad5.