A doença celíaca, caracterizada pela intolerância ao glúten, que é uma protetína encontrada no trígo, aveia, cevada, centeio e no malte. De acordo com pesquisas, atinge um em cada 214 paulistanos, mas a partir de agora, o Sistema Único de Saúde (SUS) passa a oferecer um exame específico para detectar o problema.
A decisão foi públicada no Diário Oficial da União (D.O.U) de ontem (20) é acompanhada do primeiro protocolo das primeiras diretrizes terapêuticas para a doença celíaca. Com a dosagem de anticorpos antitransglutaminase, feita com uma amostra de sangue, será possível selecionar os pacientes que deverão ser encaminhados para a etapa seguinte do diagnóstico: biópsia de fragmentos colhidos no intestino delgado por endoscopia.
De acordo com a redatora do protocolo, Vera Sdepanian, a inclusão do exame na tabela do SUS também facilitará seu pedido para planos de saúde. "Hoje, não existe um código para esse exame. Alguns só conseguem fazê-lo pelo convênio após uma longa burocracia". O exame de sangue também tornará mais preciso o acompanhamento dos celíacos. A dosagem periódica dos anticorpos permitirá a monitoração da eficácia do tratamento.
As associações de celíacos pleiteiavam a divulgação do material desde 2004. "O protocolo vai despertar os médicos para as inúmeras manifestações da doença. Organizará o atendimento de forma mais justa", diz a presidente da Associação de Celíacos do Rio de Janeiro, Raquel Cândido Benati. Colocado em consulta pública em 2008, o texto explica as três diferentes formas pelas quais a doença se manifesta, elenca os métodos de diagnóstico e direciona a interpretação dos exames -especialmente da biópsia do intestino delgado.
Também indica o tratamento, até hoje, a única forma de controlar o problema é a exclusão definitiva da dieta de alimentos que contêm glúten. "A criança tem diarreia, desidrata e vai para o hospital. Mas geralmente recebe só soro e medicação e é mandada de volta para casa. Se você é atendido por um médico que tem conhecimento dos sintomas da doença celíaca, recebe um encaminhamento para exames mais detalhados", diz Benati.