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publicado em 14/12/2011 às 15h38:00
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Um pesquisador da Fiocruz está investigando a zona portuária do Rio de Janeiro para levantar questões referentes à relação entre a medicina e os costumes populares de cura e práticas religiosas. Com o projeto " Práticas terapêuticas da comunidade portuária no século XX: memórias e identidades" , o pesquisador Fernando Sergio Dumas dos Santos descobriu que há, arraigada na cultura carioca, a compreensão de que a espiritualidade ajuda na cura.

" Resolvi estudar o século XX porque não há historiografia disponível para este assunto a partir deste período. Constatei como a medicina popular tem sido empregada para complementar a tradicional. Mesmo quando não pertence à umbanda ou ao candomblé, muita gente alia as duas formas de tratamento. É um apoio terapêutico" , afirma Fernando. O ponto de partida escolhido para o início do projeto foi a zona portuária da cidade do Rio de Janeiro, localizada nas imediações da Praça Mauá, no Rio de Janeiro, um local com fortes raízes afro, que abrigou, nos séculos XVIII e XIX, um conhecido mercado de escravos: o Valongo.

O projeto rendeu 30 entrevistas, cada uma delas de cerca de quatro horas, além de um filme curta-metragem, intitulado " Ancestralidade e cura no Rio de Janeiro" , e realizado por meio da parceria entre a Fiocruz e o Laboratório de História Oral e Imagem (Labhoi) da Universidade Federal Fluminense (UFF), sob a ótica das práticas populares, com o radialista e estudioso das questões dos afrobrasileiros Rubem Confete, que viveu grande parte de vida na Zona Portuária. " Os depoimentos são muito importantes para a compreensão da pesquisa; as pessoas envolvidas participaram de rituais de curas de diversas correntes do candomblé e da umbanda."

Segundo o pesquisador, na crença dos praticantes das religiões afrodescendentes, as doenças em geral têm um fundo espiritual, que precisa ser tratado de forma completamente diferente da medicina tradicional. " Isso, no entanto, não significa conflito; há, na verdade, uma complementação de procedimentos de cura." Como constatou Fernando, esses procedimentos também são diferentes para tratar males atribuídos a feitiços, como o mau-olhado, e doenças vinculadas à medicina formal, como dores e doenças diversas.

As entrevistas, editadas no Laboratório de História Oral e Imagem (Labhoi), da UFF, fazem parte da construção de uma escrita acadêmica em vídeo. " Em vez de transcrever os vídeos e transformá-los em tese, preferi usar a linguagem audiovisual; o vídeo permite maior divulgação e tem a capacidade de atingir um número maior de pessoas" , explica.

A pesquisa também inspirou Fernando a realizar a exposição " Um século de vivências num porto moderno: Rio de Janeiro, 1910-1920" , da qual é curador. A mostra, que reúne cerca de 100 fotografias, além de cenários interativos, vídeos, e a maquete do projeto " Porto Maravilha" , conta também com seminários e oficina pedagógica para retratar a comunidade e as experiências sociais cotidianas da região portuária e sua rica história ao longo do século XX.

A exposição acontece no Centro Cultural dos Correios (Rua Visconde de Itaboraí, 20, no Centro do Rio), até o dia 8 de janeiro.

Fonte: Isaude.net
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