Um estudo aponta que submeter pacientes vítimas de lesões no tórax a cirurgia reduz o tempo de internação, o uso de respiração artificial e os riscos de infecção hospitalar. Atualmente o país tem optado pela terapia clínica nesses casos devido ao custo. A comparação entre as duas formas de tratamento foi realizada por Frederico Henrique Sobral de Oliveira durante estudo na Faculdade de Medicina (FM) da Unesp.
Para comparar a cirurgia para fixação das partes que foram danificadas com a terapia clínica, feita com intubação e ventilação mecânica, Oliveira realizou uma metanálise (técnica estatística usada para combinar resultados de estudos independentes voltados a uma questão). Foram analisados 77 pacientes com trauma torácico causado por impacto de alta velocidade e compressão da caixa torácica. Desse total, 38 passaram por procedimento cirúrgico e 39 foram submetidos a terapias clínicas.
" A dúvida era quanto à melhor terapia a ser usada em fraturas múltiplas. Os trabalhos mostraram que, devido à cirurgia, os pacientes ficavam menos tempo em Unidades de Terapia Intensiva, o que acarretava menor tempo de uso da ventilação mecânica e menor risco de infecção, por exemplo" , explica o pesquisador.
Apenas quatro desfechos avaliados eram comuns aos dois estudos: mortalidade, incidência de pneumonia, tempo de ventilação mecânica e tempo de internação em UTI. Somente para a mortalidade não houve diferença estatística. " Já os tempos de ventilação mecânica e de UTI, além da incidência de pneumonia, revelaram diferença estatística favorecendo o grupo cirúrgico" , completou o especialista.
Mortalidade alta
Consequência imediata em acidentes, o politraumatismo é a maior causa de óbitos em pacientes com menos de 40 anos. Estimativas de órgãos médicos internacionais apontam que 25% das mortes relacionadas ao politrauma estejam associadas diretamente ao traumatismo torácico.
Segundo Oliveira, a via mais comum de tratar essa fratura dentro das unidades hospitalares continua sendo o método clínico, em razão do fator estrutural e econômico do sistema de saúde do país. No entanto, o estudo realizado pelo médico aponta subsídios para futuras pesquisas quanto ao aprimoramento da prática cirúrgica e dos métodos de recuperação.
O trabalho recebeu um prêmio durante o Congresso do Trauma do Rio de Janeiro, realizado em novembro. Com orientação dos professores da FM Paulo Eduardo de Oliveira Carvalho e José Maria Catâneo, o texto deve ser disponibilizado em 2012 no portal bibliográfico da Cochrane (organização internacional sem fins lucrativos, que produz e dissemina revisões sistemáticas na área da saúde).