Com base nos dados do último relatório da Anvisa sobre bancos privados de sangue de cordão umbilical para uso próprio, a Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia afirma que trata-se apenas de negócio. O presidente da entidade, Carmino Souza, afirma que "não tem impacto na saúde pública ou individual. As pessoas são ludibriadas num momento de muita alegria para acreditar que isso pode servir num caso de leucemia ou qualquer outro problema de saúde".
Souza afirma que algumas clínicas fazem propaganda enganosa ao citar usos para as células do cordão que ainda estão longe da realidade na medicina. "Armazenar o cordão do filho é ser proprietário de algo sem utilidade", resume.
Apesar de existirem cerca de 45 mil cordões umbilicais congelados em bancos privados no Brasil, desde 2003 foram feitos apenas oito transplantes com o material armazenado, o que corresponde a menos de 0,02% de utilização em oito anos, média de uma pessoa por ano. Em três casos, as células foram usadas para tratar o próprio dono do cordão. Nos outros cinco casos, os cordões serviram para o tratamento de parentes.
O objetivo dos pais ao pagar pelo serviço - que custa em torno de R$ 2.500 pela coleta mais R$ 500 anuais - é ter células-tronco disponíveis para transplante caso o filho tenha doenças como leucemia, linfoma ou problemas que afetem o sangue, como alguns tipos de anemia.
Segundo o gerente de Tecido, Células e Órgãos da Anvisa, Daniel Coradi, a chance de uso do cordão é tão baixa que não vale o investimento. "O sangue seria mais bem usado nos bancos públicos".
O Brasil tem uma rede pública de coleta de sangue de cordão, a BrasilCord, que hoje soma 9.776 unidades congeladas e permitiu a realização de 106 transplantes desde 2001.Mais um banco da rede será inaugurado em Curitiba (PR) no dia 20.