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publicado em 09/12/2011 às 06h00:00
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A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) alerta que os esforços para controlar o avanço do HIV na parte subsaariana do continente estão seriamente ameaçados devido à crise de financiamento do Fundo Global de Combate à Aids, Tuberculose e Malária. A crise ocorre em um momento importante na luta contra a doença, quando evidências científicas recentes provaram que o tratamento contra HIV não apenas salva vidas, mas também reduz drasticamente a transmissão do vírus de uma pessoa para outra.

O continente africano apresenta a maior prevalência de HIV do mundo, e os impactos sociais e econômicos da doença são gigantescos. Durante a Conferência Internacional sobre Aids e Doenças Sexualmente Transmissíveis na África (Icasa, na sigla em inglês), no último final de semana, cientistas, profissionais da área da saúde e legisladores do continente apresentaram um balanço da pandemia na África.

" Os avanços médicos recentes no combate ao HIV, e o progresso obtido com a promessa de expansão do tratamento a metade de todas as pessoas que precisam nos mostram que estamos no caminho certo. Mas nada disso terá sentido se não houver financiamento suficiente para alcançarmos as promessas políticas feitas até o momento. Os governos devem garantir recursos para aumentar a oferta de tratamento, não apenas para salvar vidas, mas também para reduzir a transmissão do vírus" , disse a diretora médica de MSF, Leslie Shanks.

Na semana passada, o comitê do Fundo Global anunciou a decisão de cancelar a próxima rodada de financiamentos devido à escassez de recursos, afirmando que nenhuma possibilidade de financiar novos programas será possível até 2014. O plano de contingência do Fundo, o Mecanismo Transitório de Financiamento, não inclui novos pacientes que precisem de tratamento para HIV ou tuberculose resistente a medicamentos. O anúncio foi feito após dois anos seguidos de redução do financiamento global para o combate ao HIV/Aids, o que já estava ameaçando seriamente a continuidade da oferta de tratamento - e os planos de expansão da oferta - essencial para centenas de milhares de pessoas vivendo com HIV.

MSF está pedindo ao comitê do Fundo Global que ofereça novas oportunidades de financiamento e que reúna os doadores, em caráter emergencial, até o final do primeiro semestre de 2012, antes da Conferência Internacional das Aids, em julho de 2012, em Washington (EUA).

Em 2011, foram assumidos importantes compromissos políticos: todos os governos que se reuniram na Cúpula das Nações Unidas sobre a Aids, em junho, se comprometeram a expandir a oferta de tratamento contra HIV para 15 milhões de pessoas até 2015, e o governo dos Estados Unidos anunciou, no Dia Internacional da Aids (1° de dezembro) que iria oferecer tratamento para mais 2 milhões de pessoas nos próximos dois anos. Esses foram passos essenciais, apesar de toda a perspectiva bastante sombria para os programas de HIV/Aids no mundo, mas, de acordo com MSF, esses compromissos precisam ter a garantia de recursos para se concretizarem, ou seja, o Fundo Global precisa ser financiado. Os governos mais afetados pelos cortes precisam reforçar as ações para evitar lacunas na oferta de tratamento, para ajudar a expandir o acesso ao tratamento e para reverter a epidemia.

" Nós estamos testemunhando o impacto da crise de financiamento em países onde trabalhamos. Alguns países tiveram que limitar o número de novos pacientes que poderiam receber tratamento, enquanto outros tiveram que adiar a implementação de melhores protocolos de tratamento. Há ainda os países que foram forçados a colocar estratégias de tratamento em espera, o que pode ter um impacto muito grave na epidemia" , relatou Leslie.

Na conferência da Icasa, MSF apresentou pesquisas de campo e documentos que mostram, em números, os efeitos dos cortes nos financiamentos nos países africanos nos dois últimos anos. Outras apresentações mostraram o progresso significativo nas pesquisas de campo relacionadas a infecções oportunistas que podem agravar a condição de pessoas que vivem com HIV/Aids, como calazar (leishmaniose visceral) e meningite. Essas doenças também sofrerão o impacto da falta de financiamentos.

Fonte: MSF
   Palavras-chave:   Aids    HIV    Fundo Global de Combate a Aids    MSF    Médicos Sem Fronteiras    África Subsaariana   
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