Pesquisadores do Hospital Infantil Boston, nos Estados Unidos, descobriram que a combinação de dois medicamentos já disponíveis no mercado pode ser usada para ajudar no tratamento da doença da radiação, ou síndrome aguda da radiação.
A equipe, liderada por Eva Guinan, testou uma combinação de ciprofloxacina e uma versão sintética de uma proteína humana de defesa contra infecções, chamada BPI cuja versão sintética é conhecida como rBPI21.
Os resultados dos testes realizados com camundongos mostraram que os animais que receberam a combinação dos dois remédios até 24 horas depois de serem expostos a uma dose letal de radiação conseguiram se recuperar. Cada um dos medicamentos isoladamente não produziu efeitos.
Nos seres humanos, os pesquisadores acreditam que a combinação seria eficaz somente se administrada poucos minutos ou horas após a exposição à radiação, tornando-se impraticável para uso em resposta a eventos que envolvam mortes em massa. No entanto, a janela de tempo maior para administrar a combinação de duas drogas aumenta a perspectiva de que ela poderia se tornar um dos pilares da resposta a ameaças à saúde pública, como um acidente em uma usina nuclear ou ataque terrorista nuclear.
As terapias sugeridas até hoje não foram tão eficazes quanto a combinação dos dois medicamentos, além de precisarem ser aplicadas minutos após a exposição à radiação, o que não é possível no caso de acidentes reais.
Agora os pesquisadores vão testar a combinação em humanos, o que, segundo eles, não deve demorar por se tratar de medicamentos já aprovados.
Os governos de todo o mundo têm demonstrado interesse em manter estoques de segurança de medicamentos anti-radiação principalmente depois do acidente da Usina de Fukushima, no Japão, que mostrou que os efeitos não se restringem às imediações do acidente.
Doença da radiação
A síndrome aguda de radiação varia de acordo com a quantidade de radiação que um indivíduo recebe. Os primeiros sinais da doença normalmente são náuseas e vômitos, que podem ser seguidos de tontura, febre, fraqueza, vômito e fezes com sangue, dificuldade respiratória e infecção.
Tudo pode ser afetado, os tecidos do corpo que produzem sangue, o sistema nervoso, aparelho digestivo, pulmões, sistema cardiovascular.
Em doses muito elevadas, a radiação é geralmente fatal.
Dentro do corpo, os efeitos da radiação pesada podem incluir o "vazamento" de bactérias, e das toxinas que elas produzem, do trato digestivo, ou através de danos na pele, para a corrente sanguínea.
Os efeitos da radiação são devastadores sobre as funções do coração e dos pulmões, interrompendo o processo de coagulação do sangue, e levando à inflamação dos tecidos em todo o corpo.
Quando bactérias ou toxinas entram no sangue em condições normais, o sistema imunológico responde enviando neutrófilos, células brancas do sangue, para destruir os invasores.
Mas quando uma pessoa foi exposta a níveis elevados de radiação, a capacidade de gerar neutrófilos é quase totalmente destruída.
"É uma tempestade perfeita de eventos causadores de doenças. A radiação resulta em bactérias e endotoxinas entrando na corrente sanguínea ao mesmo tempo em que as defesas do corpo são reduzidas", observa Guinan
Segundo os pesquisadores, a promessa da combinação de drogas é sublinhada pela natureza dos dois agentes. Ambos têm um histórico de segurança comprovada em seres humanos e podem ser armazenados por longos períodos de tempo, tornando-os adequados para serem estocados no organismo.