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publicado em 06/11/2011 às 11h30:00
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Brasil avalia aumento da dosagem de medicamento contra esquistossomose

 
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Considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) uma doença que perpetua os índices de pobreza e contribui para a geração de miséria, a esquistossomose foi alvo de uma extensa pesquisa clínica internacional. O pesquisador do Laboratório de Ecoepidemiologia e Controle da Esquistossomose e Geohelmintoses do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), Otávio Pieri, e outros 13 cientistas desenvolveram um estudo clínico com 856 pacientes das Filipinas, Mauritânia, Tanzânia e Brasil.

O objetivo era verificar se haveria benefícios em aumentar a dosagem atualmente recomendada do Praziquantel, que é o único medicamento empregado em larga escala pelos programas de controle da doença.

O estudo foi financiado pelo Programa Especial de Pesquisa e Treinamento em Doenças Tropicais (Tropical Diseases Research ou TDR). Foram selecionados quatro grupos de pesquisa em países com diferentes situações epidemiológicas da esquistossomose. " Todos os grupos de pesquisa envolvidos na iniciativa seguiram o mesmo protocolo de investigação, buscando gerar dados que respondessem à seguinte pergunta: qual dose de Praziquantel é mais eficaz para países onde a esquistossomose é endêmica?" , explica Pieri.

Realidades distintas

Segundo o pesquisador, os formuladores de política de saúde, principalmente da África, precisavam desta resposta por parte da OMS. Mauritânia e Tanzânia, por exemplo, são países que adotam o tratamento em massa, geralmente entre crianças em idade escolar.

" Tendo em vista os altos índices de endemicidade da doença e a precariedade dos serviços de saúde nestes países, em grupos de alto risco o tratamento é administrado independentemente de prévio diagnóstico. Chamamos isso de quimioprofilaxia ou quimioterapia preventiva. A distribuição é em massa e o custo é alto, mas se justifica pelo alto número de casos" , observa o especialista.

Pieri acrescenta que mesmo nos países africanos, onde a doença é altamente endêmica e o custo do diagnóstico é proibitivo, a escolha pela estratégia de quimioprofilaxia tem que ser muito bem pensada. " Na África, estamos falando de uma prevalência de 80% da infecção, o que talvez justifique esta opção. No Brasil, a realidade é diferente, pois o custo do kit diagnóstico (produzido por BioManguinhos) é baixo. O Ministério da Saúde só recomenda o tratamento em massa em condições muito específicas quando a prevalência da doença é acima de 50%, o que é raro de encontrar no país" , pondera.

Resultados

Os pacientes foram divididos em dois grupos. Um deles recebeu tratamento com 40mg/kg do medicamento Praziquantel (dosagem atualmente recomendada pela OMS), enquanto o outro grupo recebeu uma dose maior, de 60 mg/kg.

A pesquisa revelou que a dosagem de 60 mg/kg da droga não oferece vantagem significativa. Em ambas as dosagens, 21 dias depois do tratamento as taxas de cura tiveram médias bastante aproximadas: 91,7% (40 mg/kg) e 92,8% (60 mg/kg), reforçando a atual recomendação de dosagem da OMS. " Se adotarmos como critério de cura a situação do paciente três semanas depois da administração do medicamento, as duas doses funcionam bem. No grupo de pacientes do Brasil, foi observada 100% de eficácia nesse período" , relata Pieri.

Benefícios adicionais

O Praziquantel atua sobre as fêmeas do parasito prejudicando a postura de ovos. Muitas fêmeas migram, outras morrem. Com a dosagem maior do medicamento, a reovoposição (o retorno das fêmeas a colocar ovos) foi menor. Com isso as crianças tratadas com a dose de 60mg/kg tiveram menos frequência de reincidência do parasita. No entanto, este efeito só é observado de seis meses a um ano após o uso do medicamento.

Fonte: Isaude.net
   Palavras-chave:   Esquistossomose    Pesquisa clínica    Estudo    Instituto Oswaldo Cruz    IOC    Fiocruz    Filipinas    Mauritânia    Tanzânia    Brasil    Organização Mundial da Saúde    OMS   
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