Pesquisadores da University of Minnesota, nos Estados Unidos, descobriram que a vacina anual contra a gripe não é tão eficaz quanto se pensava anteriormente.
Novas evidências revelam que a vacina trivalente, fabricada com o vírus inativo, apresenta apenas 59% de proteção, em vez dos mais de 90% esperados e sugerem a necessidade de novas vacinas mais eficazes.
Para a pesquisa, o professor Michael Osterholm e colegas selecionaram 5.707 artigos médicos publicados entre 1967 e 2011 sobre ensaios clínicos aleatórios e estudos observacionais que avaliaram a redução direta do risco da gripe após a vacinação com vacinas licenciadas, no entanto, apenas 31 artigos atenderam a todas as exigências dos pesquisadores. A análise incluiu estudos publicados de 1967 a fevereiro de 2011.
Ensaios clínicos aleatórios de vacinas trivalentes inativadas (TIV) foram eficazes na prevenção da gripe em oito das 12 temporadas e tiveram uma eficácia combinada de 59% contra a gripe em adultos saudáveis.
Segundo os pesquisadores, a proteção atual não é adequada para um cenário de pandemia. "A diferença entre 59 e 90% de eficácia terá um efeito importante de saúde pública em qualquer pandemia que causa morbidade grave ou aumento da mortalidade", afirmam os autores.
Um estudo que avaliou a eficácia da vacina TIV em crianças de 6 meses a 2 anos de idade foi realizado ao longo de duas temporadas com bons resultados. A eficácia da vacina no primeiro ano foi de 66%. No segundo período, houve poucos casos e a eficácia não pode ser avaliada.
Os autores concluem que as vacinas atuais são as melhores intervenções disponíveis para a gripe sazonal, mas que uma proteção consistente e de alto nível ainda não é possível, especialmente em indivíduos em risco de complicações médicas ou aqueles com idade superior a 65 anos.
De acordo com os investigadores, as últimas descobertas deveriam ser uma convocação para o desenvolvimento de novas vacinas mais eficazes contra a gripe. "O problema de saúde pública causado pela gripe sazonal e o impacto global potencial de uma pandemia severa realmente sinaliza a necessidade urgente de uma nova geração de vacinas altamente eficazes e protetoras que possam ser produzidas rapidamente", afirma Osterholm.
Novas vacinas já estão em desenvolvimento, agora com base em novos antígenos que poderiam ser mais eficazes do que vacinas atuais. "Parcerias ativas entre a indústria e o governo tem potencial para acelerar a investigação e reduzir as barreiras regulamentares", concluem os autores.