O relatório final do diagnóstico do " Complexo Industrial da Cadeia Econômica da Saúde de Belo Horizonte" , com o mapa da cadeia produtiva do setor, foi apresentado à Secretaria Municipal de Planejamento, Orçamento e Informação (SMPL). O estudo foi feito em parceria com o Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis da Universidade Federal de Minas Gerais (Ipead/UFMG).
O secretário municipal de Planejamento, Orçamento e Informação, Paulo Bretas, ressaltou que a realização do diagnóstico é importante como instrumento de produção do conhecimento, podendo auxiliar nas decisões sobre ações públicas que incrementem a cadeia produtiva da saúde no município. Também participaram da reunião os secretários municipais adjuntos de Planejamento e Gestão, Geraldo Herzog, de Desenvolvimento Econômico, Ra Andrade, e de Trabalho e Emprego, Ayres Mascarenhas, assim como representantes do setor de saúde e técnicos da SMPL.
Pesquisador do Cedeplar-UFMG e coordenador do diagnóstico, Ricardo Ruiz apresentou uma síntese do funcionamento do complexo industrial da saúde, explicando o processo desde o início da pesquisa do princípio ativo de um remédio até a produção e comercialização.
Uma das constatações surgidas com o diagnóstico é que a produção de novas tecnologias e descobertas de princípios ativos acontece principalmente no exterior, devido ao grande investimento em pesquisa e desenvolvimento. No caso das empresas nacionais, elas importam a maioria dos insumos e acabam por se tornar " montadoras" de remédios, já que não desenvolvem compostos. Além disso, no caso da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), as montadoras de remédios são de pequeno porte, o que dificulta a inserção no mercado nacional.
Ainda segundo Ruiz, o desenvolvimento do setor na RMBH passa pela construção de arranjos institucionais locais, envolvendo empresas, prefeitura, governos estadual e federal, assim como universidades e agências de financiamento. Essas duas últimas têm destaque no processo, como instituições polo para a formação de mão de obra especializada e atração de empresas.
Para o ano de 2014, espera-se uma nova perspectiva de crescimento para o setor de medicamentos devido à expiração, em nível mundial, das patentes de remédios líderes de mercado, possibilitando a produção de genéricos. Outra janela de oportunidade é a criação de Parcerias Público Privadas (PPPs) na cadeia produtiva da saúde em razão da nova política industrial da União, expressa no programa Brasil Maior. Este programa pretende diminuir o déficit da balança comercial brasileira, incentivando a produção nacional de insumos farmacológicos.