A maternidade associa-se com a aquisição de uma série de novos comportamentos que podem ser desenvolvidos, pelo menos em parte, devido a alterações no funcionamento do cérebro.
A presente pesquisa fornece uma revelação intrigante sobre como as mudanças neurais associadas com a integração de odores e sons estão por detrás da habilidade de uma mãe para reconhecer e responder quando os filhos a chamam desesperados ou aflitos.
"Sabemos que mudanças cerebrais distintas estão ligadas à maternidade, mas o impacto destas mudanças sobre o processamento sensorial e a emergência dos comportamentos maternos ainda é muito desconhecido. Nos ratos, as pistas olfatórias e auditivas desempenham um papel importante na comunicação entre a mãe e os filhotes. Assim, colocamos a hipótese de que pode haver alguma interação entre o processamento olfatório e auditório para que o odor dos filhotes possa modular a maneira com que os chamados dos filhotes são processados no cérebro da mãe", disse Adi Mizrahi, da Hebrew University of Jerusalem.
Mizrahi e seus colegas examinaram se o córtex auditivo primário, a região cerebral que está envolvida no reconhecimento dos sons, pode servir como uma região de processamento precoce para a integração entre os odores dos filhotes e seus chamados. O córtex auditivo primário é um lugar conhecido pela plasticidade neuronal, o que significa que ele sofre alterações estruturais e funcionais em resposta aos estímulos sensoriais do ambiente.
No estudo, os pesquisadores expuseram ratos ingênuos (que nunca haviam sido submetidos a experimentos) que nunca haviam interagido com filhotes, ratos ingênuos que interagiram com filhotes e ratas que estavam amamentando aos odores das crias e monitoraram tanto a atividade espontânea quanto a atividade evocada pelo som nos neurônios no córtex auditivo. Os odores desencadearam mudanças dramáticas no processamento auditivo apenas nas fêmeas que tinham interagido com filhotes, e as mães lactantes foram as mais sensíveis aos sons dos filhotes. A integração auditiva-olfativa apareceu nas mães lactantes logo após terem dado à luz e teve um efeito particularmente forte na detecção das chamadas de socorro dos filhotes.
Tomados em conjunto, os resultados sugerem que a maternidade associa-se a uma forma não descrita anteriormente de processamento multi-sensorial no córtex auditivo. "Nós mostramos que a maternidade associa-se a um aparecimento rápido e robusto da integração auditiva-olfativa no córtex auditivo primário ocorrendo juntamente com a plasticidade de estímulo específico para as chamadas de socorro dos filhotes. Estes processos ajudam a explicar como as mudanças nas redes neocorticais facilitam a detecção eficiente dos filhotes por suas mães", concluiu Mizrahi.