E quipe de pesquisadores alemães demonstrou que mulheres podem realizar o auto-teste para detectar o papiloma vírus humano (HPV) com facilidade e precisão.
Os resultados sugerem que a alta sensibilidade do método de auto-amostragem garante a identificação da doença em quase todas as pacientes infectadas.
Em todo o mundo, o câncer cervical é o segundo câncer mais comum em mulheres, com meio milhão de novos casos e quarto milhões de mortes anualmente, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Praticamente todos os casos estão ligados a certas estirpes de HPV.
Para o estudo, os pesquisadores compararam auto-amostras com amostras convencionais obtidas por meio da escova endocervical ginecológica em dois grupos de mulheres de 20 a 30 anos de idade, com (55 mulheres) e sem (101 mulheres) mancha suspeita em recentes exames citológicos.
Os dois métodos de amostragem estavam de acordo entre os dois grupos 84 e 91% do tempo, respectivamente. No geral, as mulheres classificaram o método de auto-amostragem como mais fácil, com 12 em uma escala de 0 (fácil) a 100 (difícil).
A Holanda já introduziu a nova técnica em programas de rastreio do câncer cervical, e espera ver o método se difundir para países em desenvolvimento, onde as mulheres frequentemente não têm acesso fácil a médicos e testes.
A ferramenta de auto-amostragem, o Delphi Screener, é um dispositivo estéril no formato de uma seringa que contém cinco mililitros de solução salina. A mulher pode operá-lo puxando a alça e liberando o soro fisiológico dentro da vagina durante cinco segundos, em seguida, liberando a alça, para que o equipamento recolha o líquido. Em seguida, ela mergulha os espécimes em tubos codificados e etiquetados e manda para a análise em laboratório.
Os pesquisadores observam que a concordância entre os métodos convencionais e de auto-amostragem é boa, apesar do fato de que as técnicas avaliam áreas diferentes. A amostragem com a escova cervical é dirigida para a zona de transformação, a área do colo do útero, onde as células anormais mais comumente se desenvolvem, enquanto a auto-amostragem inclui toda a área cervical.
Segundo os pesquisadores, a maior prevalência de HPV, hr-HPV e HPV16 em amostras de auto-amostragem cervicovaginais pode ser explicada por infecções adicionais em locais extracervicais. "Uma vez que estas infecções podem ser um reservatório para o vírus infectar o epitélio do colo do útero na zona de transformação, elas são epidemiologicamente relevantes. Portanto, a auto-amostragem pode ser superior à amostragem dirigida ao colo para estudos de prevalência do HPV no futuro", observa a autora da pesquisa, Yvonne Delere, do Instituto Robert Koch, do Ministério da Saúde da Alemanha.
Entre as meninas adolescentes, a zona de transformação encontra-se na superfície externa do colo do útero, onde ele é mais vulnerável à infecção do que em mulheres adultas.