Ciência e Tecnologia
publicado em 15/10/2011 às 12h00:00
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Foto: Children's Hospital Boston
Stuart H. Orkin, principal investigador do estudo
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Stuart H. Orkin, principal investigador do estudo

Não muito tempo depois do nascimento, bebês humanos param de produzir sangue rico em oxigênio contendo hemoglobina fetal, para produzir o sangue que leva a proteína hemoglobina adulta.

Para as crianças com anemia falciforme, a transição da forma fetal de hemoglobina para a adulta - proteína que carrega oxigênio no sangue - marca o estabelecimento da anemia e os sintomas dolorosos do distúrbio.

Pesquisa feita por Stuart H. Orkin, do Howard Hughes Medical Institute, nos Estados Unidos, mostra que silenciar uma proteína conhecida como BCL11A reativa a produção de hemoglobina fetal em ratos adultos e reverte eficientemente a condição.

"Acho que demonstramos que uma única proteína nas células é um alvo que, se sofresse interferências, proporcionaria hemoglobina fetal suficiente para fazer os pacientes melhorarem. Há três décadas que coloca-se a hipótese de que a hemoglobina fetal poderia ser ativada, quando entendêssemos o mecanismo de tansição da hemoglobina, e esta é a primeira evidência de um alvo para fazer isso", disse Orkin.

A BCL11A está provavelmente entre um conjunto de até uma dúzia de fatores que influenciam os níveis de hemoglobina fetal, segundo Orkin, mas o novo estudo fornece evidências claras de que é um dos elementos essenciais na regulação da produção de hemoglobina fetal. A BCL11A funciona como um repressor ao ligar-se ao DNA e regular a expressão dos genes.

Não é nenhum segredo para os cientistas ou clínicos sobre o fato de que elevar a hemoglobina fetal nos pacientes de anemia falciforme pode ajudar a aliviar os episódios de fadiga repletos de dor e de dor abdominal e óssea que são característicos da doença. Embora tenham sido descobertos alguns medicamentos que podem aumentar a hemoglobina fetal, os pesquisadores biomédicos passaram décadas procurando os mecanismos moleculares básicos que controlam a passagem da hemoglobina fetal à adulta. Estudos de associação de genoma completo ajudaram a estreitar a procura por alguns genes e agora, em um teste crítico de "prova de princípio" em ratos transgênicos, a equipe liderada por Orkin identificou o papel crítico da BCL11A em derrubar a produção de hemoglobina fetal.

A hemoglobina fetal difere da forma adulta da proteína em sua afinidade por oxigênio. Cerca de 3 a 6 meses após o nascimento, a hemoglobina fetal é quase completamente substituída pela hemoglobina adulta. Por isso que pacientes com anemia falciforme não apresentam sintomas da doença até que tenham se passado vários meses após o nascimento.

O tratamento medicamentoso com a hidroxiureia agente ajuda a aumentar a hemoglobina fetal em alguns pacientes e reduz o número dos episódios dolorosos característicos da anemia falciforme. Mas a droga não é uniformemente eficaz, tem vários efeitos colaterais e seu modo de ação é desconhecido.

Orkin nota que a anemia falciforme foi a primeira doença congênita para a qual os cientistas apontaram a mudança de um único aminoácido na hemoglobina que desencadeia a doença. Esse trabalho foi feito há 60 anos, mas este conhecimento nunca havia levado a uma terapia para a doença.

Elevar a quantidade de hemoglobina fetal, disse Orkin, surgiu como uma estratégia desejável para o tratamento da anemia falciforme quando clínicos e pesquisadores notaram, há muito tempo, que os níveis de hemoglobina fetal, naturalmente, variam entre os indivíduos e que os pacientes portadores da doença que expressam mais a forma fetal da proteína sofrem menos episódios de dor. "Quanto mais hemoglobina fetal mais você tiver, melhor. A célula não se importa se está produzindo hemoglobina fetal ou não", disse Orkin, observando que elevar os níveis da proteína fetal parece não ter efeitos colaterais tóxicos.

O novo estudo foi feito através da manipulação genética de um modelo de rato de anemia falciforme, demonstrando que, no futuro, a terapia gênica pode ser viável. Conhecer a proteína-alvo também significa que a pesquisa de novos medicamentos para regular a produção de hemoglobina fetal pode alcançar uma velocidade superior. Finalmente, o novo trabalho é uma promessa para a elaboração de novos tratamentos para uma outra doenças congênitas do sangue conhecidas como talassemias, que também são causadas por uma produção deficiente de hemoglobina adulta.

Agora que este interruptor chave foi identificado, afirma Orkin, as chances de poderosas novas terapias para a anemia falciforme e outras hemoglobinopatias se tornará mais evidente: "Nos últimos 20 anos estivemos atirando flechas no escuro, na esperança de acertar o alvo. Agora podemos ver o alvo e ele é significativo".

Fonte: Isaude.net
   Palavras-chave:   Hemoglobina    Anemia    Hemoglobina fetal    Doença falciforme    Oxigênio   
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