Em busca de mais uma arma contra a dengue, a Bioindústria Moscamed, o Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB/USP), a Faculdade de Higiene e Saúde Pública (FSP/USP) e a Oxitec (Universidade de Oxford/U.K), estão desenvolvendo um método de controle biológico do mosquito causador da doença. Uma pesquisa conjunta destas instituições busca produzir insetos transgênicos para diminuir a capacidade de reprodução do Aedes Aegypti.
O diretor presidente da instituição, Aldo Malavasi, explica que a alteração genética nos mosquitos faz com que as crias das fêmeas fecundadas pelo Aedes Aegypti transgênico não cheguem à fase adulta, morrendo ainda na forma de pupa, diminuindo o número de insetos transmissores da dengue. Segundo Aldo Malavasi, os testes de campo começaram no final do mês de fevereiro com a inserção de 18 mil mosquitos no ambiente. Os mosquitos foram soltos no bairro de Itaberaba, em Juazeiro (BA). " Ainda é cedo, mas a nossa expectativa é que, com a introdução de um número maior de machos, em breve possamos medir o impacto desta ação na redução do número de casos de dengue nas áreas testadas" , afirmou o pesquisador.
O pesquisador fala que esta sendo realizado o monitoramento populacional dos mosquitos com a liberação deles no ambiente. Segundo ele, esse monitoramento permitirá o acompanhamento da flutuação da quantidade do inseto em uma determinada área. Esse monitoramento será uma das ferramentas para a verificação da eficácia dos resultados da pesquisa.
A equipe da Moscamed afirma que, por se tratar de uma espécie exótica, que não faz parte do ecossistema brasileiro, os mosquitos transgênicos produzidos na pesquisa não irão causar impactos negativos no meio ambiente nem em seres humanos.
As pesquisas para o controle do Aedes Aegypti surgiram de outro estudo para o controle da moscas-das-frutas desenvolvido pela Moscamed. Nesse estudo também são produzidos machos estéreis para controle biológico de pragas agrícolas. O princípio utilizado nas iniciativas é o mesmo: a criação de insetos estéreis.
A dengue é um dos principais problemas de saúde pública do mundo, por isso a preocupação em se tentar diminuir o número dos mosquitos transmissores. De acordo com a Vigilância Epidemiológica da Bahia, de janeiro até setembro, foram notificados 47.090 casos de dengue no estado. No mesmo período de 2010, ocorreram 53.734 casos (redução de 12,4%). Estes casos foram notificados em 387 municípios. Ainda de acordo com o órgão, quanto às formas graves da doença, foram notificados 338 casos e confirmados 266 até o momento em 63 municípios. Entre os casos graves, foram registrados 14 óbitos.
Outro motivo para o incentivo ao controle do mosquito é o aparecimento de mais um vírus que também causa a dengue. O DENV 4 foi isolado no Laboratório Central do Estado (Lacen-BA), tendo sido identificado em dois homens moradores de Salvador. De acordo com a superintendente de Proteção e Vigilância à Saúde do estado, Alcina Andrade, a doença causada por esse vírus não é mais grave, no entanto a população fica mais vulnerável por não ter tido contato anteriormente. Além da Bahia, já foram registrados casos nos estados do Pará, Piauí, Amazonas, Roraima e Rio de Janeiro.
A secretaria estadual de Saúde (Sesab) está dando apoio à pesquisa. O secretário Jorge Solla considera o estudo como uma boa iniciativa. Ele aponta que a ação, mesmo apresentando êxito, não significará a erradicação da doença, mas contribuirá de forma significativa para a redução do número de casos.
Solla destaca que a doença está muito ligada as condições de limpeza e sanitárias de cada local. " Limpar os reservatórios de água e não permitir as condições ideais para que o mosquito se reproduza, é dever de toda a sociedade" , alerta.