Ciência e Tecnologia
publicado em 12/10/2011 às 11h50:00
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Cientistas da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP buscam entender os mecanismos da HAM/TSP, doença infecciosa caracterizada por paralisia de membros inferiores, entre outros sintomas. A biomédica Mariana Tomazini Pinto explica que a doença é causada pelo tipo 1 do vírus HTLV, o HTLV-1. " O número de infectados pelo HTLV-1 gira em torno de 10 a 20 milhões de pessoas em todo o mundo. Nossos estudos visam entender porque apenas entre 3% e 5% deles desenvolvem a HAM/TSP" , explica.

As investigações na FMRP permitiram descobrir, por exemplo, que os genes Paxilina, CXCR4, IL-27, Granzima A, Perfurina e FOXP3 são expressos de modo diferente nos linfócitos TCD4 de pessoas infectadas pelo HTLV-1. Os resultados da pesquisa sugerem que esses genes podem ter algum tipo de influência no desenvolvimento da doença.

Mariana destaca que apesar de as pessoas infectadas pelo vírus e com HAM/TSP apresentarem um aumento da expressão dos genes Paxilina, CXCR4, IL-27, Granzima A, Perfurina e FOXP3, não é correto afirmar que causam a doença, pois eles podem estar associados a outros males. " Nosso objetivo nesta pesquisa foi verificar os genes que estavam diferencialmente expressos entre os grupos infectados e não infectados pelo HTLV-1, na tentativa de compreender o desenvolvimento da HAM/TSP" , ressalta.

De acordo com Mariana, " no sistema imunológico humano, as células dendríticas reconhecem os vírus e outros agentes invasores e os apresentam aos linfócitos TCD4. Esses linfócitos, por sua vez, produzem vários fatores e citocinas que ocasionam a resposta imunológica" . Assim como o HIV (vírus causador da aids), o HTLV-1 é transmitido por meio de sangue contaminado, em relações sexuais com pessoas infectadas sem uso de preservativo, no compartilhamento de seringas com portadores do vírus, e de mãe contaminada para o filho durante a gestação e/ou parto. E, assim como a aids, também não existe cura.

O estudo foi realizado por meio de uma técnica chamada de microarray que permitiu analisar, por mostras sanguíneas, 44 mil genes de três grupos de pessoas: " Foram incluídos no trabalho 28 pessoas sadias, 26 portadores assintomáticos e 21 pacientes com HAM/TSP" , informa a biomédica. Os pacientes infectados pelo HTLV-1 são acompanhados no Ambulatório de Neurologia Tropical do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP) da USP.

Os resultados indicaram que as pessoas infectadas pelo vírus têm um aumento da expressão dos genes Paxilina, CXCR4, IL-27, Granzima A, Perfurina e FOXP3, em comparação ao grupo controle (sadio). O gene IL-27 foi mais expresso em pessoas assintomáticas. " Agora pretendemos iniciar outros dois projetos, um envolvendo o gene IL-27, para entender o seu papel para o não desenvolvimento da HAM/TSP, e outro com a Paxilina, pois ela é pouco descrita no meio científico em relação ao HTLV" , aponta.

A Paxilina e o CXCR4 estão ligados a migração celular; a IL-27 está ligada a replicação do vírus; a Granzima A, Perfurina estão relacionados com a morte celular; e o FOXP3 é um marcador de um subtipo de linfócitos T, as células T regulatórias, que atuam na resposta imunológica.

A pesquisa de Mariana teve apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e foi desenvolvida no Hemocentro de Ribeirão Preto. A biomédica estudou o tema em seu mestrado Perfil de Expressão Gênica de Linfócitos T CD4¨ na infecção pelo HTLV-1, apresentado no início de agosto na FCFRP sob a orientação da professora Simone Kashima, do Hemocentro de Ribeirão Preto.

Fonte: USP
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