Ciência e Tecnologia
publicado em 04/10/2011 às 11h00:00
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Maura Gillison, autora sênior do estudo
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Maura Gillison, autora sênior do estudo

E studo publicado por pesquisadores da American Society of Clinical Oncology (ASCO) , nos Estados Unidos, aponta aumento dramático na incidência do câncer de orofaringe, que pode ser atribuído à infecção pelo vírus do papiloma humano (HPV).

Utilizando amostras coletadas em registros em três estados, os pesquisadores mostraram que a proporção de cânceres orofaríngeos, particularmente entre os homens, que foram positivo para HPV aumentou significativamente ao longo do tempo, de pouco mais de 16% dos cânceres diagnosticados na década de 1980 para mais de 70% detectados durante a década de 2000.

Com base nessas tendências, os pesquisadores preveem que a incidência de câncer de orofaringe será superior ao de câncer cervical na próxima década.

Estudos anteriores mostraram que o câncer orofaríngeo pode ser dividido em duas doenças distintas com causas distintas. Tipos HPV-negativos, que estão associados com o uso de tabaco e álcool; e tipos HPV-positivos, ligados a certos tipos de vírus HPV.

Segundo os pesquisadores, pacientes com câncer de orofaringe HPV-positivos tendem a ser mais jovens do que aqueles que são HPV-negativos. Clinicamente, os pacientes com câncer HPV-positivo tendem a ter maior sobrevida quando comparados àqueles com a doença HPV-negativa. "Costumávamos pensar em câncer orofaríngeo como um câncer típico, agora sabemos que a doença é composta de duas causas biologicamente e epidemiologicamente distintas. Esta nova compreensão vai nos permitir personalizar o atendimento a pacientes com cada forma diferente da doença", afirmou a autora sênior da pesquisa, Maura Gillison, da Ohio State University.

Gillison e sua equipe mostraram que a incidência e a taxa de sobrevivência para os cânceres de orofaringe aumentaram significativamente nos EUA entre 1973 e 2004, enquanto as taxas de incidência de outros cânceres de cabeça e pescoço, tais como cânceres da cavidade oral, diminuíram durante esse período.

Para determinar o papel da infecção pelo HPV nessas tendências, os pesquisadores testaram 271 amostras de tecidos de câncer de orofaringe arquivados de 5.755 pacientes para a infecção pelo HPV, coletados entre 1984 e 2004. Usando uma variedade de ensaios moleculares, os pesquisadores mostraram que a proporção de cânceres de orofaringe que foram HPV-positivos aumentou dramaticamente ao longo do tempo, de 16,3% durante a década de 1980 para 72,7% durante a década de 2000.

Em um nível populacional, eles descobriram que em apenas 16 anos (1988 a 2004), a incidência de cânceres HPV-positivo subiu de 0,8 a cada 100 mil habitantes para 2,6 por 100 mil, um aumento de 225%. A taxa de câncer HPV-negativo diminuiu 50% durante esse mesmo tempo, provavelmente devido ao declínio do tabagismo.

De acordo com Gillison, caso a tendência atual continue, isso sugere o câncer ofaríngeo relacionado ao HPV vai se tornar a principal forma de câncer de cabeça e pescoço e no país, superando o câncer cervical, em 2020. "Esses aumentos podem refletir os aumentos no comportamento sexual, incluindo aumento no sexo oral", disse Gillison.

A pesquisadora observou que cerca de 90 a 95% dos cânceres HPV-positivos foram causados por um tipo de HPV, o HPV 16, que é alvo de vacinas atualmente disponíveis para a prevenção do câncer cervical. "Com vacinas contra o vírus, temos uma grande oportunidade para potencialmente prevenir câncer de orofaringe nas futuras gerações, inclusive em meninos e homens, no entanto, mais estudos precisam ser feitos para avaliar a eficácia de vacinas contra o HPV na prevenção de infecções orais pelo vírus", afirmou.

Segundo o autor do estudo, Anil Chaturvedi, mais pesquisas são necessárias para lidar com várias questões-chave. "Estudos prospectivos são necessários para investigar a história natural da infecção oral por HPV, porque pouco se sabe sobre sua incidência e persistência, todos os fatores de risco modificáveis envolvidos na sua persistência e as oportunidades para detecção", disse Chaturvedi.

O especialista em câncer de cabeça e pescoço, Gregory Masters, ressalta que o estudo é de grande importância porque esclarece o papel crescente do HPV como agente causador de câncer e pode ter particular relevância para a adoção de vacinas para pessoas em risco de desenvolver câncer relacionado ao vírus.

Para visualizar um PDF completo do estudo, clique aqui.

Fonte: Isaude.net
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