Ciência e Tecnologia
publicado em 28/09/2011 às 11h30:00
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Ann Graybiel, autora sênior da pesquisa
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Ann Graybiel, autora sênior da pesquisa

Neurocientistas sabem há muito tempo da existência das ondas cerebrais, no entanto, até então, o papel que estas flutuações rítmicas da atividade elétrica desempenham nas funções cognitivas como aprendizado e memória não era claro.

Mas agora estudo conduzido por neurocientistas do MIT, nos Estados Unidos, mostra que um interruptor entre dois destes ritmos é essencial para o aprendizado do comportamento habitual.

Em um artigo, os pesquisadores relatam que, enquanto os ratos aprendem a andar em um labirinto, a atividade em uma região cerebral que controla a formação de hábitos muda de um ritmo rápido, caótico, para um ritmo mais devagar, mais sincronizado. Esta mudança, que ocorre bem no momento em que os ratos começam a dominar o caminho do labirinto, é semelhante a sinais de que um hábito foi formado.

Segundo a professora do MIT, Ann Graybiel, esta é uma dica importante sobre como o cérebro se reorganiza durante o aprendizado.

Várias ondas cerebrais, de diversas frequências são encontradas nos humanos e em outros animais. Este artigo focou-se nas ondas beta, que vão de 15 a 28 hertz, e nas ondas gamma, que vão desde 70 a 90 hertz. A banda beta é associada com a falta de movimento e a gamma com estados de alerta.

Os pesquisadores buscaram saber se poderiam relacionar estes ritmos com mudanças no estado cerebral que acompanham o aprendizado. Neste estudo foram observados os ritmos cerebrais na parte inferior dos gânglios basais, conhecido como estriado ventral. Esta área é necessária para responder à dor ou ao prazer e também está muito envolvida nos vícios.

Nas primeiras vezes, enquanto os ratos ainda estavam conhecendo o labirinto, os pesquisadores viram rajadas de atividade do estriado ventral na faixa de frequência gama pouco antes de os ratos terminarem o labirinto. Esta atividade dispersou-se pelo estriado ventral: as células sincronizadas com o ritmo em diferentes tempos, de uma maneira bastante descoordenada.

Quando os ratos começaram a entender a forma de ganhar a recompensa, a atividade gama desapareceu e foi substituída por rajadas de atividade na banda beta, uma frequência mais baixa, exatamente depois que terminaram de percorrer o labirinto. A atividade também tornou-se muito mais coordenada no estriado ventral inteiro.

Para ter uma visão mais profunda do que estava acontecendo durante esta mudança de frequência, os pesquisadores também mediram a atividade de neurônios específicos no estriado ventral e descobriram que a atividade nos dois grupos de neurônios era coordenada com as oscilações.

Os neurônios de output, que controlam a comunicação do estriado ventral com o resto do cérebro, subiram durante os picos de ambas as oscilações gama e beta. Outro tipo, que inibe os neurônios de output, subiu durante as diminuições das oscilações.

Esta descoberta sugere que, enquanto os ratos estão aprendendo um novo comportamento, a atividade de alta frequência nos neurônios de output do estriado ventral envia mensagens para o resto do cérebro direcionando-o para aprender um novo comportamento, reforçado pela recompensa dada aos ratos ao completar o labirinto, leite com chocolate. Então, quando o comportamento é aprendido e um hábito é formado, essas mensagens não são mais necessárias, e são desligadas por neurônios inibitórios durante as oscilações beta. Isso é benéfico para o cérebro porque " O que se quer é desocupar aquele pedacinho de cérebro para que se possa fazer algo mais - formar um novo hábito ou ter uma grande ideia" , disse Graybiel.

Os pesquisadores estão planejando investigar agora se a formação de hábitos é interrompida se eles alterarem os ritmos cerebrais no estriado ventral. Eles também querem identificar mais especificamente os neurônios que estão envolvidos. Identificar e controlar tais neurônios pode oferecer uma nova maneira de se ajudar a combater o vício - uma forma extrema de comportamento habitual.

Fonte: Isaude.net
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