Composto de chumbo testado por pesquisadores da University of Texas Southwestern Medical Center, nos Estados Unidos, é capaz de destruir vários tipos de vírus, incluindo o da gripe espanhola mortal que matou um número estimado de 30 milhões de pessoas na pandemia mundial de 1918.
Os resultados mostram que o composto, que atua aumentando os níveis de uma proteína antiviral humana, pode ser administrado para desenvolver uma nova droga para combater a gripe, que a se transformar em cepas resistentes a drogas anti-influenza.
Em um teste celular recém-realizado, o composto eliminou com sucesso três tipos de influenza, assim como um vírus relacionado à varíola e um vírus animal.
Segundo a autora sênior do estudo, Beatriz Fontoura, o vírus é suficientemente 'inteligente' para contornar inibidores ou vacinas às vezes. Portanto, há uma necessidade de estratégias alternativas. "Drogas atuais agem sobre o vírus, mas nossa proposta se baseia no aumento da resposta antiviral humano a nível celular", disse.
De acordo com a National Institutes of Health, o vírus da gripe leva à hospitalização de mais de 200 mil pessoas nos EUA a cada ano, com cerca de 36 mil mortes relacionadas à doença. A gripe, em todo o mundo, mata cerca de 500 mil pessoas anualmente.
O composto está entre outros que a equipe de pesquisa está testando que induz uma proteína chamada REDD1, que combate a infecção humana. Até este estudo, os pesquisadores não haviam demonstrado que REDD1 tinha essa função antiviral importante. "Descobrimos que a proteína é uma barreira humana fundamental para a infecção. Curiosamente, REDD1 inibe uma via de sinalização que regula a proliferação celular e o câncer", relatou Fontoura.
A equipe de pesquisa testou 200 mil compostos para descobrir quais inibem a infecção pelo vírus da gripe. Um total de 71 foi identificado.
Utilizando os dois compostos mais promissores, os pesquisadores vão trabalhar para fortalecer a potência para testes adicionais. De acordo com os pesquisadores, pode demorar mais de 10 anos antes que esse composto seja transformado, com sucesso, em medicamentos.