Pesquisadores do Jonsson Comprehensive Cancer Center, nos Estados Unidos, desenvolveram uma maneira de detectar por imagens a difusão de uma forma perigosa de câncer de próstata mais cedo do que as técnicas convencionais de imagiologia atuais. O novo método pode permitir aos oncologistas encontrar e tratar as metástases mais rapidamente e dar aos pacientes uma chance melhor de sobrevivência.
O sistema de imagem baseado em genes direciona-se ao câncer de próstata resistente à castração, uma forma agressiva que se tornou resistente ao tratamento hormonal conhecido como terapia de privação de andrógeno. Quando essa terapia não funciona mais, o câncer progride dentro de 12 a 18 meses e o prognóstico se torna ameaçador, segundo a professora de farmacologia molecular e médica, Lily Wu.
" A qualquer momento em que você puder detectar o câncer mais cedo, as chances de um controle mais eficaz do câncer aumentam e os resultados para os pacientes são melhores. Infelizmente, não há muito o que fazer para tratar o câncer de próstata resistente à castração quando ele já se espalhou. No nosso estudo, focamos em encontrar maneiras de fazer imagens destes cânceres de próstata metastáticos de forma precisa" , disse Wu.
Os pesquisadores utilizaram " interruptores controladores" dos genes que somente estão ativos no câncer de próstata resistente à castração; eles ligaram estes interruptores moleculares a um gene " repórter" que pode ser facilmente captado em imagens. O interruptor específico que a equipe utilizou era a sequência acentuadora específica da próstata (PSES), um promotor andrógeno-independente no câncer de próstata resistente à castração que é mais específico neste tipo de malignidade. O PSES deriva-se do antígeno específico da próstata e do antígeno da membrana específico da próstata e é impulsionado pelo sistema transcricional de amplificação de duas etapas, que leva à expressão dos genes repórteres que podem fornecer imagens. Estes genes repórteres brilham quando examinados com bioluminescência ou com tomografia por emissão de posítrons. O sistema funciona bem no ambiente com pouco andrógeno e é bastante específico para a próstata, duas condições que adequam-se ao câncer de próstata resistente à castração.
Os pesquisadores testaram a capacidade de performance do sistema de imagiologia por bioluminescência PSES em ratos que tiveram células de tumor implantadas no joelho direito para se estabelecer a metástase óssea. Depois de aguardar por seis semanas pelo crescimento do tumor, o vetor do repórter de imagem PSES foi injetado nos ratos para procurar pela metástase. Quatro dias depois da injeção, o sinal do gene repórter podia ser visto claramente, identificando corretamente a metástase do câncer de próstata na tíbia direita de todos os nove animais analisados. As tomografias por emissão de posítrons não conseguiram distinguir entre o joelho afetado e o saudável.
A taxa de crescimento do tumor, neste modelo de metástase óssea não é uniforme, podendo não se espalhar ou mesmo formar grandes lesões tumorais na cavidade do tutano do osso. O sistema de imagiologia PSES identificou corretamente dois dos nove animais nos quais o tumor não cresceu. Estes resultados dão confiança aos pesquisadores de que o sistema está funcionando corretamente para buscar a metástase óssea do câncer de próstata, de uma maneira sensível e específica.