Ciência e Tecnologia
publicado em 20/09/2011 às 17h47:00
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Foto: NTNU
Berit Johansen, vem estudando a expressão gênica por quase duas décadas
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Berit Johansen, vem estudando a expressão gênica por quase duas décadas

Biólogos da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia conseguiram desvendar quais são os melhores alimentos em nível molecular para os genes. O estudo revelou que o consumo de um terço de proteínas, um terço de carboidratos e um terço de gordura é a melhor receita para limitar o aparecimento de doenças relacionadas ao estilo de vida.

Os resultados mostraram ainda que uma dieta com 65% de carboidratos faz com que um número de classes de genes trabalhe horas extras e aumente o risco de doenças. "Isso afeta não apenas os genes que causam a inflamação no corpo, que foi o que originalmente queríamos estudar, mas também genes associados ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares, alguns tipos de câncer, demência e diabetes tipo 2, todas doenças relacionadas ao estilos de vida", explicou a professora de biologia, Berit Johansen.

Segundo os autores, essas descobertas minam a maioria das bases científicas de dietas saudáveis recomendadas nos dias de hoje. Somente agora eles estão tentando descobrir a relação entre a digestão da dieta e os efeitos sobre a saúde e o sistema imunológico, para assim dizer não só que tipos de alimentos são saudáveis, mas por que. "Ambas as dietas de baixa e alta caloria estão erradas. Mas uma dieta baixa em carboidratos é preferível. Uma dieta saudável não deve ser composta por mais de um terço de carboidratos (até 40% das calorias) em cada refeição, caso contrário, estimulamos nossos genes a iniciar a atividade que gera inflamação no corpo", observou Johansen.

A professora defende que a dieta é a chave para controlar nossa susceptibilidade genética para uma determinada doença. " Ao escolher o que comemos, escolhemos se vamos oferecer aos nossos genes as armas que causam a doença. Quando consumimos muitos carboidratos e o corpo é acionado para reagir, o sistema imunitário mobiliza sua força, como se o corpo estivesse sendo invadida por bactérias ou vírus" , afirmou Johansen.

Johansen salientou que os pesquisadores não têm todas as respostas para a relação entre dieta e alimentos ainda. Mas as tendências descobertas, juntamente com a literatura científica recente, deixa claro que a recomendação deve ser para as pessoas mudarem seus hábitos alimentares. Caso contrário, um número crescente de pessoas será atingido com doenças crônicas relacionadas ao estilo de vida.


Estudos clínicos

A equipe de pesquisa conduziu dois testes. O primeiro foi para determinar que tipo de métodos de pesquisa eles usariam para responder às perguntas. No estudo-piloto de 28 dias, cinco homens obesos ingeriram comida normal, enquanto no segundo estudo, 32 homens e mulheres um pouco acima do peso ingeriram comida feita especialmente alimentos em pó.

Participantes no último estudo foram aleatoriamente designados para seguir por seis dias uma dieta com 65% das calorias provenientes de carboidratos, o resto das calorias derivadas de proteína (15%) e gordura (20%) e depois uma semana sem dieta. Então eles retomaram uma nova dieta por seis dias com metade dos carboidratos e o dobro de proteínas e gordura. Exames de sangue foram realizados antes e após cada período de dieta.

Estudos de dieta que comparam diferentes quantidades de gordura são muitas vezes criticados com o argumento de que é a diferença na quantidade de ômega-3, os ácidos graxos, que produz os efeitos na saúde, e não o resto da ingestão de alimentos.

Os pesquisadores resolveram este problema mantendo a mesma quantidade de ômega-3 e ômega-6 em ambas as dietas, embora a quantidade de gordura, em geral, fosse diferente nas dietas que foram testadas.

Segundo os investigadores, os estudos resultaram em duas descobertas importantes. Uma delas é o efeito positivo de muitas refeições ao longo do dia e os detalhes sobre a qualidade e composição dos componentes em uma dieta ideal, incluindo ácidos graxos ômega-3 e ômega-6. A segunda é que uma dieta rica em carboidratos, independentemente de haver ou não exagero, tem consequências para genes que afetam as doenças de estilo de vida.


Temperatura genética

Ao longo do estudo, os pesquisadores analisaram se vários genes estavam trabalhando normalmente ou horas extras. Uma medida agregada dos resultados de toda essa atividade genética é chamada de expressão gênica. Ela pode quase ser considerada uma medida da temperatura genética do estado de saúde do corpo.

Os resultados mostraram que um grupo de genes envolvidos no desenvolvimento de reações inflamatórias trabalham horas extras no corpo, alguns desses grupos estão ligados às doenças do estilo de vida. "Os genes que estão envolvidos no diabetes tipo 2, doença cardiovascular, doença de Alzheimer e alguns tipos de câncer, respondem à dieta e são ativados por uma dieta rica em carboidratos", explicou Johansen.

Segundo os pesquisadores, vale a pena notar que os genes associados com o risco de doença podem ser influenciados pela dieta. Eles acreditam que uma pessoa pode prevenir ou retardar o aparecimento de doenças se tiver uma alimentação correta e se reduzir os carboidratos na dieta. "Precisamos de mais pesquisa sobre isso. Parece claro que a composição e a quantidade de nossas dietas podem ser fundamentais para influenciar os sintomas da doença crônica" , disse Johansen.

Os resultados do estudo mostraram também que alguns genes não estão ativados, mas sim se acalmam ao invés de acelerar conforme a dieta que recebem. A equipe descobriu que um conjunto genético relacionado à doença cardiovascular foi reprimido em resposta a uma dieta equilibrada, ao contrário de uma dieta rica em carboidratos.

Outro gene que foi significativamente expresso de forma diferente pelas dietas que foram testadas foi um comumente chamado de "gene da juventude" na literatura científica.

De acordo com os pesquisadores eles ainda não descobriram a fonte da juventude em si, mas eles devem levar estes resultados muito a sério. " O importante para nós é que, pouco a pouco, estamos descobrindo os mecanismos de progressão de doenças para muitos de nossos principais distúrbios relacionados com o estilo de vida", afirmou Johansen.

Veja mais detalhes sobre esta pesquisa (em inglês). http://www.ntnu.edu/news/feed-your-genes

Fonte: Isaude.net
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