Ciência e Tecnologia
publicado em 16/09/2011 às 17h00:00
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Paul Mischel, autor sênior do estudo
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Paul Mischel, autor sênior do estudo

Bloquear a absorção de grandes quantidades de colesterol nas células de câncer do cérebro pode se configurar como uma nova estratégia para combater o glioblastoma, um dos tumores malignos do cérebro mais mortais. É o que sugerem pesquisadores do UCLA's Jonsson Comprehensive Cancer Center, nos Estados Unidos.

O estudo, feito com linhagens de células, modelos de rato e uma análise do tecido cerebral dos pacientes com câncer cerebral, descobriu um novo mecanismo pelo qual o oncogene mais comumente ativado, o receptor do fator de crescimento epidérmico (EGFR), supera os mecanismos de regulação celular normais para alimentar grandes quantidades de colesterol para as células cancerígenas cerebrais, segundo o professor de patologia e medicina laboratorial, Paul Mischel.

Isso mostra que o EGFRvIII, comum no glioblastoma, promove a importação do colesterol para as células de câncer ao aumentar o seu receptor celular, o receptor LDL, promovendo o crescimento rápido do tumor e sua sobrevivência.

Há pelo menos três maneiras pelas quais as células normalmente controlam rigorosamente os seus níveis de colesterol - importação, síntese e efluxo ou bombear o colesterol para fora, disse Mischel.

"Nosso estudo descobriu que o EGFR mutante sequestra este sistema, permitindo que as células cancerosas importem grandes quantidades de colesterol através do receptor de LDL. Este estudo identifica o receptor de LDL como um regulador essencial do crescimento e da sobrevivência das células cancerosas e como um alvo potencial da droga".

Mischel e seus colegas lançaram a hipótese de que atacar o receptor de LDL para destruí-lo poderia resultar em uma atividade anti-tumoral forte contra o glioblastoma. Eles mostraram que uma droga que ativa o receptor nuclear X do fígado, um regulador crítico do colesterol intracelular que garante níveis adequadamente equilibrados, degradou o receptor de LDL nas células tumorais produzindo mutações EGFR, matando de forma potente os tumores cancerígenos nos ratos.

Cerca de 45% dos pacientes com glioblastoma têm cânceres impulsionados pelo EGFR mutado, então os resultados têm potencial para ajudar quase metade das pessoas diagnosticadas com esta malignidade agressiva. O EGFR também é mutado em uma série de outros tipos de câncer, indicando que estas descobertas podem ter relevância para outras doenças malignas.

"Este estudo sugere uma estratégia terapêutica potencial para tratar o glioblastoma e, possivelmente, uma gama mais ampla de tipos de câncer", disse Mischel.

Em um estudo anterior, Mischel mostrou que inibir a síntese de ácidos graxos nas células de câncer cerebral poderia oferecer uma opção adicional para tratar aqueles com EGFR mutado. As células cancerosas que se dividem rapidamente também requerem ácidos graxos para formar membranas novas e fornecer energia para as células. Mischel e sua equipe descobriram que a mesma via de sinalização celular trabalha na síntese de ácidos graxos e na importação de colesterol nas células cancerosas.

"Isso foi uma surpresa aqui, este truque medonho das células cancerosas. A mesma mutação regula coordenadamente tanto o colesterol quanto os mecanismos de síntese dos ácidos graxos", disse Mischel.

Daqui para frente, Mischel e seus colegas farão mais estudos pré-clínicos que poderão levar a ensaios clínicos de medicamentos que ativem o receptor X do fígado.

O glioblastoma é o tumor maligno cerebral mais comum e um dos mais letais de todos os cânceres, matando a maioria das pessoas diagnosticadas dentro de 12 a 15 meses, apesar do tratamento agressivo. É também um dos cânceres que é mais resistente à quimioterapia e à radiação. Novos tratamentos são necessários urgentemente, disse Mischel.

"Este estudo revela um novo crescimento das células tumorais e uma via de sobrevivência que possivelmente podem ser atacados terapeuticamente, o que poderia resultar em tratamentos mais eficazes para os pacientes", disse ele.

As descobertas de Mischel são o resultado de uma colaboração com o professor de patologia e medicina laboratorial Peter Tontonoz, do Howard Hughes Medical Institute e com o professor de neurologia Timothy Cloughesy e com o professor de oncologia radiológica, Deliang Guo.

Fonte: Isaude.net
   Palavras-chave:   Glioblastoma    Colesterol    Câncer do cérebro    Tumores malignos    Tecido cerebral    EGFRvIII    Receptor celular    LDL   
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