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publicado em 02/09/2009 às 10h00:00
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FMRP vai identificar causas do nascimento de prematuros no país

Segundo grupo de pesquisadores da FMRP a prematuridade tornou-se questão de saúde publica

 
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Foto: Divulgação / U.S. Air Force
Foto: Flávia/Picasa
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A partir de outubro deste ano, a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP dará início à mais completa pesquisa já feita no Brasil sobre a saúde perinatal, período imediatamente anterior e posterior ao parto. O objetivo é entender as razões do crescimento de nascimentos prematuros e suas conseqüências no desenvolvimento infantil. De acordo com dados preliminares da pesquisa, em Ribeirão Preto o índice de nascimentos prematuros apresenta um crescimento contínuo. Em 1978, foi em torno de 6,8%. Em 1994 chegou a 13,5%. Agora está em torno de 12% a 15%, variando de ano para ano. Essa é uma tendência mundial, segundo o professor Marco Antonio Barbieri, do Departamento de Pediatria e Puericultura da FMRP, que será o coordenador do estudo.

Segundo Barbieri, a prematuridade tornou-se uma questão de saúde pública e vem aumentando sistematicamente no mundo todo. " Nos Estados Unidos, por exemplo, nos anos 70, o índice era de 6% e atingiu patamares de 12% a 15% no início do século. Precisamos entender o que representa esse processo, pois a prematuridade é pouco estudada" , explica. Para o pesquisador as cesarianas também podem estar contribuindo para o aumento dos índices de nascimento prematuro.

A pesquisa vai consumir R$ 3 milhões, sendo 2,5 milhões da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e o restante do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), por meio do Pronex, além recursos para bolsas de diversas modalidades como, iniciação científica, mestrado, doutorado, e pós-doutorado.

O estudo será feito com um grupo de 14 mil crianças, sete mil em Ribeirão Preto, e outras sete mil em São Luiz, no Maranhão. O estudo terá início com uma coorte (estudo de grupo de pessoas seguidos por um período determinado de tempo) que os pesquisadores chamam de conveniência e estudo controle. Serão convidadas para participar, dessa primeira parte do projeto, cerca de 1,5 mil mulheres de Ribeirão Preto e outras 1,5 mil de São Luiz já no 5º mês de gestação. Essas crianças serão avaliadas em três momentos. Ainda no útero, no nascimento e com um ano de vida. Elas integrarão uma coorte maior, com 7,5 mil que serão estudadas somente em dois momentos, no nascimento e com um ano de vida.

Na coorte de conveniência, os pesquisadores esperam encontrar de 12% a 15% de prematuros. " Esse grupo será o suficiente para responder a etiologia da prematuridade. Tanto o lado social como o biológico" , avalia o professor Barbieri. Todo o estudo será dividido em duas partes, a primeira que vai investigar hipóteses para a prematuridade e a segunda que vai avaliar indicadores de saúde perinatal e seus reflexos no desenvolvimento infantil.

Da epidemiologia à biologia molecular

Na primeira parte do estudo, serão investigadas hipóteses neuroendócrinas e imuno-inflamatórias que levam a partos prematuros. Segundo Barbieri, já existem relatos, mas não estudos consubstanciais, sobre algumas evidências para essa ocorrência. Dentro das hipóteses neuroendócrinas, o estresse, associado à liberação de hormônios, é apontado como potencial causador de prematuridade.

O uso de drogas, álcool e tabaco também será investigado como possível causa. " Já existe até proposta da Organização Mundial da Saúde, baseada em alguns estudos, de que durante a gravidez o uso de álcool deve ser zero. Algumas evidências já apontam que o álcool pode provocar prematuridade, já para o tabaco as evidências não são consubstancias para a prematuridade, mas sim para o baixo peso" .

Nas hipóteses imuno-inflamatórias, os pesquisadores vão estudar infecções maternas que seriam potencializadoras da prematuridade, como vaginose bacteriana, doença periodontal e infecção do trato urinário, associadas à susceptibilidade genética, fatores que podem levar a liberação de citocinas pró-inflamatórias.

A segunda parte do estudo pretende estabelecer o impacto da prematuridade e outras condições do nascimento no desenvolvimento da criança, como resistência a insulina, que leva a diabetes tipo 2, alterações neurológicas e comportamentais, fatores de riscos para alergia e chiado e alterações da saúde bucal. Nessa etapa, os resultados serão comparados com os obtidos nos estudos do grupo do professor Barbieri nos últimos 30 anos, em coortes de nascimentos ocorridos em 1978 e 1979 e em 1994.

Fonte: USP
   Palavras-chave:   Bebê prematuro    Saúde perinatal    FMRP    USP    Marco Antonio Barbieri    Epidemiologia    Biologia molecular    CNPq    Fapesp   
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