Ciência e Tecnologia
publicado em 10/09/2011 às 13h00:00
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Foto: University of Texas/UTHealth
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Cesar Arias durante procedimento em laboratório no para obter dados para a pesquisa Cesar Arias, líder da pesquisa
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Cesar Arias durante procedimento em laboratório no para obter dados para a pesquisa
Cesar Arias, líder da pesquisa

A análise do genoma de uma superbactéria rendeu novas informações cruciais que poderiam ajudar nos esforços para neutralizar a resistência da bactéria a um antibiótico de último recurso. A pesquisa foi liderada por cientistas do University of Texas Health Science Center at Houston (UTHealth).

As superbactérias são bactérias que são resistentes a vários antibióticos e representam um dos problemas de saúde mais desafiadores do século 21. As infecções causadas por estas bactérias podem levar a doenças de mais longa duração, à maior permanência hospitalar e, em alguns casos, à morte. A resistência aos antibióticos está em ascensão e os tratamentos alternativos geralmente não são muito eficientes.

Os pesquisadores se concentraram em uma superbactéria chamada enterococos resistente à vancomicina (VRE), que é uma bactéria intestinal que resistente a vários antibióticos, principalmente à vancomicina, uma droga que tem sido utilizada para o tratamento de infecções potencialmente letais associadas ao ambiente hospitalar.

"É a segunda bactéria mais comum isolada dos pacientes nos hospitais dos Estados Unidos depois da estafilococos. O problema é que a VRE tornou-se tão resistente que não temos antibióticos de confiança para tratá-la mais. A daptomicina é um dos poucos antibióticos restantes com atividade contra a VRE e é normalmente utilizada como uma droga de última instância. Além disso, esta superbactéria em particular é frequentemente vista em pacientes debilitados, como os que estão em unidades de tratamento intensivo, recebendo tratamento de câncer e pacientes que receberam transplantes, entre outros, por isso o surgimento de resistência durante o tratamento é um grande problema", disse o professor de medicina Cesar Arias

A VRE pode desenvolver resistência à daptomicina durante o tratamento. Para descobrir o motivo disso, os pesquisadores compararam os genomas de amostras de bactérias extraídas do sangue de um paciente com infecção da corrente sanguínea por VRE que estava recebendo a daptomicina. A bactéria desenvolveu resistência à daptomicina e o paciente morreu em seguida.

Ao comparar a composição genética da bactéria antes e depois de ela desenvolver resistência à daptomicina, os pesquisadores conseguiram identificar alterações nos genes diretamente ligadas à resistência aos antibióticos. "A nossa pesquisa fornece comprovação direta de que as alterações em dois genes bacterianos são suficientes para o desenvolvimento da resistência à daptomicina na VRE durante a terapia", disse Arias.

Barbara Murray, diretora da Divisão de Doenças Infecciosas da UTHealth, disse: "Estes resultados lançam as bases para a compreensão de como as bactérias podem se tornar resistentes à daptomicina, que abre imensas possibilidades para atacar as funções codificadas por estes genes mutantes. Este seria um passo em direção ao desenvolvimento dos medicamentos que são tão necessários. Isto é, quando entendermos o mecanismo exato de resistência, poderemos começar a desenvolver estratégias que bloqueiam ou atacam o mecanismo de resistência".

Murray, que é professora de Medicina Interna, acrescentou que "Este estudo identificou genes nunca antes relacionados à resistência aos antibióticos nos enterococos. A abordagem genética utilizada no estudo é muito poderosa e foi capaz de identificar os genes exatos e as mutações específicas dentro deles que levavam ao fracasso do tratamento com a daptomicina (CUBICIN ®) e que contribuíam para o desfecho fatal do paciente".

O laboratório de Arias está fazendo pesquisas adicionais necessárias para determinar os mecanismos precisos pelos quais as mudanças genéticas permitem que a bactéria derrote o antibiótico. "Há mutações que aparecem para alterar o invólucro da célula bacteriana, que é o alvo do antibiótico. As modificações trazidas pela mutações genéticas podem alterar o invólucro das células para evitar a que os antibióticos causem a sua morte. Acreditamos que estas mudanças são um mecanismo geral pelo qual as bactérias se protegem", disse Arias.

Herbert DuPont, professor de Ciências Médicas e diretor do Centro para Doenças Infecciosas da University of Texas School of Public Health, disse: "Vinte anos atrás, as bactérias resistentes aos antibióticos causavam infecções hospitalares mais frequentemente nas pessoas com doenças subjacentes ou com idade avançada. Agora, as bactérias resistentes também são muitas vezes vistas na comunidade em pessoas que estavam saudáveis, o que torna o tratamento muito complicado".

Fonte: Isaude.net
   Palavras-chave:   Superbactéria    Resistência bacteriana    Vancomicina    Antibiótico    Enterococos    Daptomicina   
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