Ciência e Tecnologia
publicado em 01/09/2011 às 15h30:00
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Foto: Patrick Gillooly/MIT
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Pesquisadores usaram método para analisar dados de fMRI, que permite distinguir padrões individuais de atividade cerebral Michael Behr, Nancy Kanwisher e Evelina Fedorenko
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Pesquisadores usaram método para analisar dados de fMRI, que permite distinguir padrões individuais de atividade cerebral
Michael Behr, Nancy Kanwisher e Evelina Fedorenko

Uma nova pesquisa do Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos, sugere que há partes do cérebro dedicadas somente à linguagem, descoberta que marca um grande avanço na busca de regiões cerebrais especializadas nas funções mentais mais sofisticadas.

O conceito da especificidade funcional, como é conhecido pelos cientistas cognitivos, se baseia na ideia de que partes distintas do cérebro lidam com tarefas distintas. Os cientistas sabem há muito tempo que a especificidade funcional existe em certos domínios: no sistema motor, por exemplo, em que uma parte dos neurônios controla os dedos da mão esquerda, e outra controla a língua. Mas o que se sabe sobre as funções mais complexas, como reconhecer rostos, usar a linguagem ou fazer exercícios de matemática? Há regiões do cérebro especiais para essas atividades?

A articulação da linguagem deve ser uma das primeiras habilidades a se analisar, de acordo com a primeira autora do estudo, Evelina Fedorenko, do Department of Brain and Cognitive Sciences do MIT.

Dados de neuroimagem - especialmente a ressonância magnética funcional (fMRI) - tem sido inconclusivos. Embora os estudos tenham apontado várias áreas importantes para a linguagem, tem sido difícil dizer se essas áreas são exclusivas para o desenvolvimento da habilidade comunicacional. Muitas experiências revelaram que atividades não ligadas à linguística aparentemente ativam as mesmas áreas, como a memória aritmética e a música.

Mas de acordo com Fedorenko, esta aparente sobreposição pode ser causa de falhas de metodologia. No estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, foi usada uma técnica que vinha sendo desenvolvida pela pesquisadora há alguns anos. O novo método trouxe evidências de que há, na verdade, partes do cérebro destinadas apenas ao idioma.

Estudos da linguagem com ressonância magnética são geralmente feitos por análise de grupo, o que significa que os pesquisadores testam 10, 20 ou até 50 indivíduos em seguida para procurar regiões que estão ativas em todo o cérebro.

Fedorenko explica que esse não é o método ideal para se desenvolver esse tipo de pesquisa, principalmente porque as diferenças anatômicas entre os cérebros podem causar "manchas", fazendo parecer que uma região está ativa em duas tarefas diferentes quando, na realidade, as tarefas ativam duas áreas vizinhas, mas não sobrepostas. "Mesmo que haja um padrão geral, os cérebros são diferentes em seus padrões de dobramento, e nas áreas funcionais em relação a esses padrões".

O ideal para a pesquisadora é que os dados sejam analisados ??individualmente em cada sujeito, isto é, os padrões de atividade cerebral só seriam comparados com padrões de atividade daquele mesmo cérebro. Para fazer isso, os pesquisadores passariam os primeiros 10 a 15 minutos de cada sessão de fMRI monitorando apenas a atividade cerebral da área relacionada à linguagem. Depois de analisar o local onde acontecem as atividades relacionadas ao idioma (localização funcional), outros sete experimentos devem ser feitos: um envolvendo aritmética exata, dois com memória de trabalho, três sobre o controle cognitivo e um sobre música, já que estas são as funções "mais comumente relacionadas a atividades neurais da linguagem", diz Fedorenko.

Das nove regiões analisadas - quatro no lobo frontal esquerdo, incluindo a região conhecida como área de Broca, e outras cinco localizadas no hemisfério esquerdo - oito delas foram ativadas apenas na análise em que se observou a habilidade linguística. Não foram observadas manifestações dessas áreas nas outras sete tarefas. Esses achados indicam um "grau notável de especificidade funcional para a linguagem", como relatam os pesquisadores.

Estudos futuros vão testar as áreas de linguagem recentemente identificadas analisando-as em tarefas não relacionadas à linguagem. Os pesquisadores também pretendem aprofundar os estudos nessas áreas para descobrir as funções de cada uma na execução da linguagem.

Segundo Fedorenko, os resultados não comprovam que cada função cognitiva tem uma área própria dedicada no córtex, afinal somos capazes de aprender novas habilidades, então devem haver partes do cérebro funcionalmente flexíveis. Ainda assim, os resultados trazem a esperança de que os pesquisadores possam determinar algumas distinções dentro do córtex humano: "Regiões do cérebro que fazem coisas relacionadas podem estar próximas... [mas] esta não é exatamente a explicação para a multifuncionalidade" diz a autora.

Fonte: Isaude.net
   Palavras-chave:   Linguagem    Neurolonguística    Regiões cerebrais    Linguística    Pesquisa      
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