Embora o tratamento com radiação seja cada vez mais importante na luta contra o câncer, ele pode trazer malefícios para muitos pacientes. "Nós não sabemos quais pacientes serão mais afetados antes do início do tratamento com a radiação. Este é um problema, especialmente em casos de tratamento curativo do câncer", diz Anne Ree Hansen professora de medicina na Universidade de Oslo, na Noruega.
Os biofísicos Erik Olai Pettersen e Nina Jeppesen Edin, do Departamento de Física da universidade, descobriram agora como é possível ligar ou desligar a resistência do organismo à quimioterapia.
O tratamento com radiação médica pode provoca resistência à radioterapia e alguns tipos de quimioterapia. Quando um paciente recebe tratamentos de radiação os tecido saudáveis ao redor do tumor também são atingidos. Porém, em alguns casos, as células saudáveis ??emitem um material de resistência e isto é particularmente prejudicial aos pacientes cujo câncer está se espalhando. O caso de emissão mais estudado é chamado resistência multidrogas, em que as células cancerosas expelem os quimioterápicos.
Ao estudar este mecanismo, os pesquisadores encontraram a solução de como transformar quimicamente uma possível resistência com uma baixa dose de radiação. No início da década de noventa, os pesquisadores descobriram que doses relativamente pequenas de radiação podiam matar células de câncer mais rápido do que doses maiores. As pesquisas revelaram que, se houver uma exposição a uma pequena dose de radiação e posteriormente o recebimento de uma dose maior, o efeito da última é reduzido, pois nesse meio tempo as células cancerosas se tornaram resistentes à radiação.
O sinal de alerta é espalhado pelo sangue. Jeppesen Edin tem feito experiências com células de câncer em um laboratório. As células usadas por ele em um experimento receberam uma baixa dose de radiação. Apesar de elas se dividirem quatro vezes por semana, os resultados mostram que os descendentes das células permaneceram resistentes à radiação até cinco anos depois.
Em laboratório, as células foram colocadas em um líquido com nutrientes. Após a irradiação, o pesquisador analisou o líquido contendo as células irradiadas e as comparou com as que não receberam radiação. "Surpreendentemente, essas células também se tornaram resistentes", destacou.
Jeppesen Edin encontrou uma explicação molecular para esse fenômeno. As células cancerosas irradiadas emitiram uma molécula sinalizadora ao líquido. Enquanto isso, as células não irradiadas entraram em contato com o líquido e emitiram um sinal para que ligassem a resistência.
"Isso significa que, quando há exposição a um baixo nível de radiação, as moléculas sinalizadoras são distribuídas em todo o nosso corpo por meio do sistema circulatório. As células que não são irradiadas também se tornam resistentes logo em seguida", diz Jeppesen Edin.
Os pesquisadores tem mostrado que é possível desligar a resistência após a medicação. " A droga tem sido dada aos pacientes com o uso de uma conexão diferente, sem relatos de efeitos colaterais. A droga não danifica o material genético nas células, e ataca apenas a enzima na célula" , disse o biofísico.
O objetivo principal do estudo é possibilitar a criação de uma injeção antes do tratamento de radiação para tornar as células hipersensíveis novamente. "Uma única dose seria suficiente, mas é ainda é muito cedo para se fazer afirmações. Nós ainda não testamos seu uso em animais ou seres humanos", alertou.
Os pesquisadores descobriram a resistência enquanto pesquisavam um processo natural de radiação. Na Noruega, a radiação tem uma alta variação local. Uma área em Ramsar, na parte norte do Irã, tem uma das mais altas radiações naturais do mundo. Lá, as pessoas podem ser expostos a radiação de fundo uma centena de vezes maior do que na Noruega. "No entanto, as taxas de câncer não são mais elevadas em Ramsar do que na Noruega. Ao contrário, acredita-se que o sistema imunológico se encarrega dessa resistência. É, portanto, uma proteção natural do organismo contra elevadas taxas de radiação.", diz Pettersen em entreista à revista Apollon da Universidade de Oslo.