Ciência e Tecnologia
publicado em 05/09/2011 às 18h04:00
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Pesquisadores da University of British Columbia e do Child & Family Research Institute, no Canadá, demonstraram que o estresse parental durante os poucos anos dos filhos pode deixar uma marca nos genes que dura até a adolescência e pode afetar a forma como esses genes são expressados mais tarde.

O estudo, publicado online na revista Child Development, focou na epigenética - expressão de genes em oposição à sequência de base de DNA. Um componente central da epigenética é a metilação, em que um grupo químico atribui partes do DNA - processo que age como um redutor sobre a função do gene em resposta ao ambiente social e físico.

O professor associado, Michael S. Kobor, de genética médica da UBC, mediu padrões de metilação no DNA das células coletadas de mais de 100 adolescentes, processo recentemente feito por pesquisadores da University of Wisconsin. Estes padrões foram comparados com dados obtidos pela University of Wisconsin em 1990 e 1991, quando esses mesmos adolescentes eram crianças pequenas e seus pais foram convidados a informar sobre os níveis de estresse delas - incluindo depressão, raiva familiar expressa, estresse dos pais e estresse sobre questões financeiras.

Comparando a metilação do DNA ao estresse, a equipe de Kobor descobriu que níveis mais elevados de estresse relatado por mães durante o primeiro ano dos filhos correlacionam com níveis de metilação em 139 partes do DNA em adolescentes. Eles também descobriram 31 partes que correlacionam com o estresse dos pais mais relatados durante a fase pré-escolar dos filhos (3,4 a 4,5 anos).

"Pelo que sabemos, esta é a primeira demonstração, usando dados longitudinais cuidadosamente selecionados, que mostra que a adversidade dos pais durante os primeiros anos de uma criança leva a mudanças perceptíveis no 'epigenoma' . Isso literalmente ilustra um mecanismo pelo qual as experiências interiorizada podem ficar conosco por um longo tempo", diz o cientista Kobor, do Centre for Molecular Medicine and Therapeutics at the Child and Family Research Institute (CFRI), e da Mowafaghian Scholar, na Human Early Learning Partnership (HELP).

A equipe também descobriu que o nível de estresse do pai é mais fortemente associado com a metilação do DNA em filhas, enquanto o nível de estresse da mãe tem um efeito tanto em meninos como em meninas. Isso reforça outras pesquisas que mostram que a ausência do pai ou a falta de participação na parentalidade está associada a um início mais precoce da puberdade e difíceis traços temperamentais em meninas, mas não em meninos.

Em geral, nenhum dos genes, cujo nível de metilação correlacionado com o estresse estão entre os mais conhecidos, têm um papel no controle do comportamento de uma pessoa ou de reação ao estresse ambiental. Mas eles conseguiram encontrar alguns genes que tiveram uma mudança consistente nos níveis de metilação em mais de um local do DNA, incluindo um envolvido na produção de insulina, e três outros genes possivelmente envolvidos no desenvolvimento do cérebro. "O que é particularmente intrigante é que os níveis mais elevados de estresse de uma mãe são durante a infância, mas não durante os anos pré-escolares, o que leva a mudanças epigenéticas. E o oposto é verdadeiro para os pais: maior estresse durante a idade pré-escolar de uma criança, mas não durante a infância", diz o coautor do estudom Clyde Hertzman, professor da UBC' s School of Population and Public Health e diretor do HELP.

O coautor Thomas Boyce, professor da UBC' s Human Early Learning Partnership e cientista da CFRI, diz que esses resultados confirmam o que os especialistas da primeira infância sabem que os primeiros anos são um período crucial que prepara o terreno para muito do que acontece com o indivíduo mais tarde. E que isso ajuda a explicar por que o nível socioeconômico de uma criança é o preditor mais poderoso de saúde infantil e saúde ao longo da vida desse indivíduo.

Fonte: Isaude.net
   Palavras-chave:   Metilação    Gene    Sequencia de base    DNA    Estresse    Pais    Filhos    Epigenética    Adolescentes    Crianças    University of British Columbia    Canada   
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