Ciência e Tecnologia
publicado em 31/08/2011 às 13h00:00
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Patricia Kuhl, coautora do estudo e codiretora do UW Institute for Learning & Brain Sciences
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Patricia Kuhl, coautora do estudo e codiretora do UW Institute for Learning & Brain Sciences

Bebês e crianças são extremamente capazes de aprender uma segunda língua, mas esta aptidão começa a desaparecer logo após os primeiros anos de vida. Pesquisadores da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, estão investigando os mecanismos cerebrais que contribuem para a habilidade dos bebês na aprendizagem de línguas, com a esperança de que as descobertas possam ajudar os adultos a aprenderem outros idiomas com a mesma facilidade.

Em um novo estudo, os pesquisadores relatam que os cérebros de bebês criados em lares bilíngues demonstram maior flexibilidade para aquisição de diferentes idiomas. Os pesquisadores também mostram que a quantidade relativa de exposição a cada idioma - inglês e espanhol - afeta o vocabulário das crianças.

O estudo, publicado online este mês no Journal of Phonetics, é o primeiro a medir a atividade cerebral durante a infância e relacioná-la à exposição ao código linguístico e à habilidade da fala.

"O cérebro bilíngue é fascinante porque reflete habilidades dos seres humanos em ralação á flexibilidade do pensamento - bebês bilíngues aprendem que os objetos e eventos no mundo têm dois nomes e alternam essas ' etiquetas' com flexibilidade, dando ao cérebro um bom exercício", disse a codiretora do Institute for Learning & Brain Sciences e coautora do estudo, Patricia Kuhl, da Universidade de Washington.

Estudos anteriores mostram que bebês entre 8 e 10 meses de idade são muito capazes de distinguir os sons da fala de sua língua nativa e apresentam a mesma aptidão na distinção de sons de uma língua estrangeira. Por exemplo, entre 8 e 10 meses de idade os bebês expostos ao inglês se tornam melhores na detecção da diferença entre os sons "r" e "l", que são predominantes no idioma. Nesta mesma idade, bebês japoneses que não estão expostos a tantos de sons "r" e "l", são menos capazes de detectá-los.

"As músicas infantis exploram os sons da língua durante este período em que a criança está mais sensível aos sons. Estamos tentando descobrir exatamente como isso acontece. Quase nada se sabe sobre como os bebês bilíngues fazem isso em dois idiomas. Saber como essa experiência esculpe o cérebro nos trará informações muito além do desenvolvimento da linguagem", prevê Kuhl.

No presente estudo, os bebês de monolíngues (falantes de inglês ou espanhol) e bilíngues usavam bonés equipados com eletrodos para medir a atividade cerebral com o uso de um eletroencefalograma (EEG). Bebês ouviram uma fala de fundo em um idioma, com sons contrastantes de outra língua. Se o cérebro for capaz de detectar os sons contrastantes, há um padrão chamado de assinatura da resposta de incompatibilidade que pode ser detectado com o EEG.

Bebês monolíngues entre 6 e 9 meses de idade apresentaram uma resposta que indicou que há percepção da mudança em ambas as línguas. Entre 10 e 12 meses, os bebês monolíngues apenas responderam aos sons contrastantes do inglês.

O experimento em bebês bilíngues demostrou um padrão diferente. Em crianças de 6 a 9 meses, bilíngues não mostraram incompatibilidade, mas de 10 a 12 meses, apresentaram a incompatibilidade de ambos os sons. Isto sugere que o cérebro bilíngue permanece flexível às línguas por um longo período de tempo, possivelmente porque as crianças bilíngues são expostas a uma maior variedade de sons.

Essa diferença no desenvolvimento sugere que os bebês bilíngues "podem ??ter um período diferente para desenvolverem um processo de aquisição da linguagem" em comparação com os bebês monolíngues, disse o autor do estudo, Adrian Garcia-Sierra.

Para verificar se as respostas do cérebro em crianças com idade entre 10 a 12 meses, os pesquisadores acompanharam os bebês até cerca de 15 meses de idade para ver quantas palavras em Espanhol e em Inglês as crianças sabiam. Eles descobriram que as respostas dadas pelo cérebro poderiam prever a capacidade dos bebês de aprendizagem das palavras. Ou seja, o vocabulário das crianças bilíngues foi associado à intensidade de suas respostas cerebrais.

Os pesquisadores dizem que a melhor maneira para as crianças aprenderem uma segunda língua é através das interações sociais e exposição diária à linguagem. "Aprender uma segunda língua é como aprender um esporte", disse Garcia-Serra, cujos dois filhos estão se tornando bilíngues.

Fonte: Isaude.net
   Palavras-chave:   Bilinguísmo    Bebês    Línguas    Linguagem    Segunda língua    Cérebral    Diferenciação    Pesquisa    Universidade de Washingtob   
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