Saúde Pública
publicado em 26/08/2011 às 12h00:00
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Pesquisadores têm utilizado a próxima geração de técnicas de sequenciamento para rastrear a origem e explicar a disseminação das mais recentes pandemias de cólera. Eles também destacaram o impacto da resistência aos antibióticos sobre os surtos e mostraram que a primeira resistência foi adquirida por volta de 1982.

O sequenciamento do genoma revela que o tipo de cólera responsável pela atual pandemia pode ser rastreada até um ancestral que apareceu pela primeira vez há 40 anos na Baía de Bengala. A partir dele, a cólera se espalhou várias vezes para diferentes partes do mundo em várias ondas.

Essas descobertas oferecem melhor compreensão dos mecanismos por trás da propagação da cólera, ligada a condições pobres de higiene e saneamento e frequentemente encontradas em áreas de desastres, como o terremoto no Haiti em outubro de 2010. Estima-se que a doença afeta de 3 a 5 milhões de pessoas a cada ano, com número de mortes entre 100 mil e 120 mil.

A equipe localizou a propagação da enfermidade a partir da análise dos genomas da bactéria Vibrio cholerae, tirada de 154 pacientes em todo o mundo nos últimos 40 anos. Usando a capacidade de controlar as alterações de DNA no genoma desta estirpe, eles foram capazes de mapear as rotas de transmissão, auxiliando o planejamento futuro da saúde e permitindo o 'retrocesso' da doença até a origem.

Eles descobriram que a atual cepa da bactéria - conhecida como El Tor - se tornou resistente aos antibióticos em 1982 ao adquirir a região genética SXT, que entrou no genoma da bactéria na época, provocando transmissão global a partir da fonte original. "Pela comparação dos genomas de 154 casos de cólera, temos feito descobertas importantes de como a pandemia tem se desenvolvido. Nossa pesquisa mostra a importância de eventos de transmissão global na propagação da doença. Isso vai contra as crenças anteriores de que a cólera sempre surge a partir de cepas locais e fornece informações úteis para a compreensão dos" , diz o autor sênior do estudo, Julian Parkhill, do Wellcome Trust Sanger Institute.

A partir da pandemia de 40 anos atrás na Baía de Bengala, tem-se pessoas infectadas em todo o mundo, incluindo África, Ásia do Sul e América do Sul. "Olhando para os últimos 40 anos de transmissões de continente para continente, descobrimos que a Baía de Bengala atua como um reservatório para a cólera, onde ela pode prosperar e se disseminar. Ao estudar como a doença se espalha, os nossos mapas de transmissão poderiam influenciar as decisões futuras sobre como lidar com esta doença", explica um dos autores do estudo, Nicholas Thomson, do Instituto Sanger.

A análise mostra que não houve uma única disseminação de uma simples cepa de V. cholerae a partir da Baía de Bengala. A evidência sugere que houve pelo menos três ondas independentes sobrepostas de propagação intercontinental com um ancestral comum na década de 1950, representando o original El Tor. Estes movimentos são fortemente correlacionados com a atividade humana, sugerindo que a cepa foi realizada pela viagem humana. "Estas descobertas estão abrindo novos caminhos, para pesquisadores que estudam todos os campos da infecção bacteriana investigarem como as mudanças genéticas permitem às cepas construirem uma resistência aos antibióticos, sendo capazes de rastrear a transmissão de uma doença e relacioná-la com as raízes. Essas primeiras descobertas poderiam ser a chave para desvendar muitas outras pandemias bacterianas", diz o primeiro autor do estudo, Ankur Mutreja, do Instituto Sanger.

O professor G Balakrish Nair, diretor do National Institute of Cholera and Enteric Diseases da Beliaghata, na Índia, explica que esse é o primeiro estudo que se funde com informações evolutivas contemporâneas, no surgimento de novas variantes de Vibrio cholerae e depois usa as assinaturas filogenéticas para controlar a propagação intercontinental de cólera. " Essas descobertas no devido tempo nos levarão a entender por que as pandemias de cólera começaou na Ásia e se espalhou como uma onda por todo o mundo", finalizou.

Fonte: Isaude.net
   Palavras-chave:   Genoma    Doença    Colera    Cepas    Resistentes    Antibioticos    Surtos    1982    Oceano indico    Sequenciamento    Transmissão    El Tor   
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