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publicado em 19/08/2011 às 18h00:00
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Pesquisadores da Universidade de Montreal, no Canadá, descobriram que crianças nascidas de mães com sintomas de depressão ao longo da vida têm um cérebro diferente, com uma amígdala maior.

Alterações semelhantes, porém de maior magnitude, foram encontradas nos cérebros de crianças adotadas que foram inicialmente criadas em orfanatos. O atendimento personalizado às necessidades das crianças pode ser o fator chave.

Os resultados sugerem que os cérebros são sensíveis à qualidade do cuidado oferecido à criança e que o maior tamanho da amígdala atua como uma proteção. "Outros estudos mostraram que as mães que se sentiam deprimidas eram menos sensíveis às necessidades de seus filhos, mais retraídas e desengajadas", explicaram os pesquisadores Sophie Parent e Jean Séguin, da Universidade de Montreal.

A equipe do estudo definiu que a amígdala está envolvida na atribuição de significação emocional às informações e aos eventos, e isso contribui para a forma como nos comportamos em resposta aos possíveis riscos. A necessidade de aprender sobre a segurança ou o perigo de novas experiências pode ser maior no início da vida, quando sabemos pouco sobre o mundo que nos rodeia. De fato, estudos com outros mamíferos, como os primatas, mostraram que a amígdala se desenvolve mais rapidamente logo após o nascimento. " Nós não sabemos se o alargamento que observamos é o resultado da exposição a longo prazo ao cuidado de pior qualidade. Mas mostramos que crescer com uma mãe deprimida está associado a uma amígdala maior. Ter uma amígdala alargada poderia ser um fator protetor e aumentar a probabilidade de sobrevivência", observou a líder do estudo, Sonia Lupien.

A amígdala pode ser protetora através de um mecanismo que produz os hormônios do estresse conhecidos como glicocorticoides. Os pesquisadores observaram que os níveis hormonais dos filhos de mulheres deprimidas que participaram no estudo aumentaram significativamente quando eles eram confrontados com situações desconhecidas, indicando maior reatividade ao estresse nas crianças. Adultos que cresceram em circunstâncias semelhantes às destas crianças apresentam níveis mais altos de glicocorticoides e uma maior reação deles ao participar de testes de estresse em laboratório. "Quais seriam as consequências a longo prazo desta reatividade aumentada ao estresse é algo que desconhecemos até o momento", disseram eles.

Embora este estudo não possa esclarecer as causas do tamanho maior da amígdala, os pesquisadores observaram que os estudos sobre a adoção também demonstraram que as crianças que foram adotadas mais cedo e por famílias mais ricas não têm amígdala aumentada. "Isto sugere fortemente que o cérebro pode ser bastante responsivo ao meio ambiente durante o desenvolvimento inicial e confirma a importância da intervenção precoce para ajudar as crianças que enfrentam adversidades. Iniciativas como a visita doméstica de enfermeiras durante o pré-natal e ambientes de cuidado diurno enriquecidos poderiam atenuar os efeitos do cuidado parental sobre o cérebro em desenvolvimento", disse Lupien.

Séguin acrescentou que estudos futuros testando os efeitos destes programas de prevenção e pesquisas observacionais envolvendo crianças expostas aos sintomas depressivos maternais em diferentes idades, e, consequentemente, por diferentes períodos de tempo, devem fornecer mais detalhes sobre como isso ocorre, sobre as consequências a longo prazo e como ela pode ser prevenida.

Fonte: Isaude.net
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