Sobreviventes de câncer podem correr riscos de outros problemas de saúde no longo prazo, com possibilidade de recorrência do tumor, e uma das maiores causas disso é a inatividade física. É o que relata um novo artigo publicado pelo Macmillan Cancer Support, organização que orienta pacientes vítimas da doença no Reino Unido.
O artigo traz novas evidências sobre a importância da atividade física para a recuperação de pacientes que tiveram câncer. Pessoas com risco de recorrência de câncer de mama, intestino e próstata podem reduzir o risco de morte em até 50% se realizarem níveis recomendados de atividade física.
No entanto, apesar das evidências trazidas pelos exercícios, uma pesquisa realizada pela Macmillan Cancer Support descobriu que muitos profissionais de saúde não estão conscientes disso e que a maioria não orienta os pacientes sobre o assunto. Mais da metade (56%) dos profissionais de saúde, como enfermeiros e oncologistas, não conversam sobre os possíveis benefícios da atividade física ou, na melhor das hipóteses, falam apenas com algumas pessoas.
"A evidência em nosso relatório mostra o quão importante é a atividade física no processo de recuperação do câncer. No entanto, pouca atenção aos benefícios tem sido dada por profissionais de saúde ou por serviços de saúde. É essencial que os serviços de atividade física sejam disponibilizados e prescritos a todos os pacientes com câncer. Estas pessoas ficariam surpresas se soubessem os benefícios trazidos pelas atividades físicas na recuperação da doença, reduzindo as chances de ter que passar por um novo tratamento. Profissionais de saúde podem encaminhar pacientes para uma variedade de exercícios como fisioterapia e grupos de caminhada." disse Ciaran Devane, executivo principal da Macmillan Cancer Support.
Normalmente pacientes com câncer são orientados a ficarem em repouso depois do tratamento. Porém a nova pesquisa afirma que essa abordagem é ultrapassada e poderia coloca-los em risco. A médica oncologista Jane Maher diz que é preciso ocorrer " uma mudança cultural, de modo que os profissionais de saúde vejam a atividade física como parte integrante do tratamento, não apenas um complemento opcional" .