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publicado em 13/08/2011 às 18h00:00
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Foto: Divulgação/UFRJ
Seminário internacional da UFRJ abordará a promoção da saúde sob a ótica oriental
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Seminário internacional da UFRJ abordará a promoção da saúde sob a ótica oriental

Até que ponto exercícios do yoga podem influir positivamente sobre os sintomas de ansiedade, agir sobre o estresse e até em transtornos, como a síndrome do pânico? Para a pesquisadora Camila Vorkapic, do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é preciso colocar tudo isso em prática, mas também comprovar cientificamente como tudo funciona.

Com a pesquisa " O efeito de técnicas de yoga na redução da sintomatologia de pacientes com transtorno de pânico" , Camila está utilizando essa prática milenar como intervenção terapêutica no tratamento destes pacientes. Segundo ela, o ideal é empregar as técnicas de yoga não só nos tratamentos de transtornos mentais, mas também como método preventivo para profissionais com funções de alto nível de estresse, como médicos, policiais e motoristas.

Camila é orientada pelo pesquisador Bernard Pimentel Rangé, no programa de pós-graduação em Psicologia da UFRJ, e é bolsista do programa Bolsa de Doutorado Nota 10. Para Bernard, as práticas de meditação têm sido cada vez mais utilizadas para tratar problemas como quadros de ansiedade, estresse e depressão. " Na literatura científica pode-se perceber um aumento exponencial da utilização desta prática como terapia; isso é uma evidência muito significativa" , complementa.

" Partindo do pressuposto de que os diferentes estados mentais são acompanhados por diferentes condições neurofisiológicas, pode-se afirmar que a meditação induz a ocorrência de dois tipos de alterações psicofisiológicas: mudanças no estado, que são alterações de curto prazo, ocorrendo durante ou imediatamente após a prática da meditação e se referem às alterações sensoriais, cognitivas e de autoconsciência; e mudanças no traço, alterações de curto prazo, que são mais profundas, resultantes da prática constante da meditação e que incluem alterações neuroquímicas, funcionais e até morfológicas do cérebro" , explica a pesquisadora.

Como as técnicas de meditação envolvem uma forma de treino de atenção, as funções cognitivas que mais podem ser afetadas pela prática da meditação são a atenção e concentração. É por isso que os efeitos neurofisiológicos da meditação sobre os processos de atenção e correlatos são os mais estudados.

Para comprovar a efetividade científica da yoga, Camila separou dois grupos, cada um deles formado por, no mínimo, 20 voluntários com transtornos de ansiedade generalizada e pânico, diagnosticados previamente por profissionais do Instituto de Psicologia da UFRJ. O primeiro grupo recebeu como tratamento sessões de terapia cognitivo-comportamental (TCC) enquanto o segundo participou de práticas tradicionais de Hatha yoga, o que incluiu posições corporais (asanas), exercícios respiratórios (pranayama), relaxamento (yohanidra) e meditação (mindfulness). Os dois grupos fizeram uma hora de terapia por semana, durante o período de dois meses. Os voluntários também responderam a questionários e escalas-padrão, antes e após o tratamento, em que relatam seus sintomas físicos e psicológicos relacionados especificamente ao transtorno. " Estes dados são importantes para que possamos comprovar a efetividade das diferentes intervenções terapêuticas e estabelecer parâmetros científicos" , explica Camila.

Embora ainda não tenha realizado a análise estatística final, a pesquisadora revela que a reação dos pacientes que fizeram yoga foi surpreendente. " No começo do tratamento, pacientes com transtorno de pânico preferiam subir seis andares de escada para as aulas de yoga a ficarem confinados num elevador, o que sempre lhes provocava sensação de medo. Mas, ao longo dos dois meses, a maioria já estava subindo de elevador." Camila também relata que muitos deles revelaram, por meio de conversas, das escalas e questionários, que estavam dormindo melhor; sentiam bem menos os sintomas físicos da ansiedade, como tremores, palpitação e dificuldade de respirar e tinham menos pensamentos relacionados ao pânico, seja medo de morrer, de ter um ataque cardíaco ou de não ser capaz de se controlar. A maioria também admitiu ter se tornado mais capaz de sair de casa sozinho, de ir a shoppings, esperar em filas e andar de ônibus. Para muitos deles, os pensamentos depressivos, como " não sentir mais prazer nas coisas como antes" ou " perder o interesse pelas pessoas" , também tinham sido atenuados.

Camila pretende continuar a pesquisa com um número maior de sujeitos, de modo a ampliar a amostragem e tornar os resultados mais fidedignos. " Já conheço como a prática do yoga funciona sobre as pessoas, pois venho estudando e trabalhando com ela há mais de oito anos. Mas estamos tentando comprovar cientificamente sua eficiência, para que ela passe a ser vista com mais seriedade" . A pesquisadora conta que o yoga pode ser um tratamento mais barato porque as pessoas podem praticar em casa. " Muitos voluntários faziam isso, repetindo os exercício em casa. O que foi fundamental para uma recuperação tão rápida."

A pesquisadora está ajudando a organizar o I Seminário Internacional Consciência, Mente e Corpo: Perspectivas Orientais e Ocidentais. O evento, que também tem o apoio da FAPERJ, será realizado de 17 a 21 de agosto, na UFRJ, no campus da Praia Vermelha, à rua Lauro Müller, 2, em Botafogo. O seminário abordará a promoção da saúde sob a ótica oriental, entre outros assuntos. Mais informações: conscienciamenteecorpo@gmail.com.

Fonte: FAPERJ
   Palavras-chave:   Yoga    Psicologia    Estresse    Universidade Federal do Rio de Janeiro    UFRJ    Camila Vorkapic   
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