Ciência e Tecnologia
publicado em 14/07/2011 às 18h00:00
   Dê o seu voto:

 
tamanho da letra
A-
A+

Investigadores do Massachusetts General Hospital, nos Estados Unidos, descobriram que restringir a ingestão calórica em fêmeas adultas de camundongos impede o aparecimento de um espectro de anormalidades características de óvulos de fêmeas mais velhas, tais como cópias extras ou falta de cromossomos. A descoberta sugere novas estratégias para prevenir a infertilidade e defeitos congênitos.

"Nós descobrimos que poderíamos impedir completamente, em um modelo de rato, essencialmente todos os aspectos em declínio da qualidade do ovo típico de fêmeas mais velhas. Nós também identificamos um gene que pode ser manipulado para reproduzir os efeitos da restrição calórica na dieta e melhorar a qualidade do ovo em animais mais velhos alimentados com uma dieta normal, o que nos dá pistas para que possamos ser capazes de alterar este processo altamente regulado com compostos agora a serem desenvolvidos para imitar os efeitos da restrição calórica", explicou o líder do estudo, Jonathan Tilly.

Pesquisas anteriores de Tilly e seus colegas revelaram que fêmeas de camundongos mantidas sob dieta com restrição calórica durante a maior parte da vida adulta permaneceram férteis em idades muito avançadas, mesmo depois de serem autorizadas a retomar a alimentação normal.

Um passo-chave no desenvolvimento de células reprodutivas - espermatozoides e óvulos - é um processo chamado meiose. Quando o óvulo maduro e as células do esperma se fundem, o embrião resultante tem duas cópias de cada cromossomo, um do sexo masculino e um do feminino. Anormalidades associadas com a meiose, tais como cópias extras de cromossomos ou falta de um cromossomo, são mais comuns nos ovos de animais mais velhos e são responsáveis por uma incidência maior de infertilidade, aborto espontâneo e defeitos congênitos, como a síndrome de Down.

o estudo

Após a descoberta sobre o impacto da restrição calórica sobre a fertilidade em camundongos, a equipe manteve um olhar mais atento a fatores metabólicos que podem estar por trás desses resultados. Eles primeiro acompanharam dois grupos de camundongos fêmeas da idade adulta, 3 meses a 1 ano, idade em que a qualidade dos ovos e a fertilidade normalmente seriam muito reduzidos.

Um grupo teve alimentação normal durante toda a vida adulta, enquanto o outro foi mantido em uma dieta de restrição calórica por cerca de sete meses e retornou à alimentação normal no último mês do período do estudo.

Enquanto os ratos com alimentação normal mostraram o esperado declínio relacionado á idade tanto no número de óvulos liberados na ovulação quanto no número de ovos maduros e prontos para a fertilização, as células de ovos de camundongos mais velhos com restrição calórica se assemelharam muito à ovos saudáveis de fêmeas adultas jovens durante a fase reprodutiva.

Análise de cromossomos e outros aspectos relacionados com a meiose das células de camundongos mais velhos com restrição alimentar não mostraram nenhuma evidência do envelhecimento associado a anormalidades. Mudanças ligadas à idade, vistas em ratos com alimentação normal (agregação de mitocôndrias em pedaços e queda nos níveis de ATP, o combustível metabólico produzido pela mitocôndria) não foram vistas em óvulos das fêmeas mais velhas com restrição calórica.

Os mecanismos pelos quais a restrição calórica produz tais efeitos ainda estão sendo investigados. Várias das vias metabólicas envolvem um regulador da transcrição do DNA chamada PGC-1á, que é conhecida por modular genes envolvidos no controle do número e da função de mitocôndrias.

"Enquanto a maioria do trabalho no campo da restrição calórica tem sido feito em camundongos e outros animais de laboratório, ao longo dos últimos anos uma série de estudos têm mostrado que vários dos benefícios de saúde relatados em camundongos mais velhos também são vistos em macacos e, talvez, em populações humanas que têm optado por limitar a ingestão de calorias", relatou Tilly.

"Se encontrarmos uma maneira segura de reproduzir em humanos os efeitos que vimos neste estudo, podemos ser capazes de melhorar a possibilidade de uma mulher ficar grávida. E, para aquelas que precisam de tecnologia de reprodução assistida, podemos elevar a qualidade dos ovos para minimizar, se não eliminar, os casos de síndromes relacionadas à idade", acrescentou.

Fonte: Isaude.net
  • Indique esta NotíciaIndique esta Notícia
  • Indique esta NotíciaCorrigir
  • CompartilharCompartilhar
  • AlertaAlerta
Link reduzido: 
  • Você está indicando a notícia:
  • Para que seu amigo(a) receba esta indicação preencha os dados abaixo:

  • Você está informando uma correção para a matéria:


Receba notícias do iSaúde no seu e-mail de acordo com os assuntos de seu interesse.
Seu nome:
Seu email:
Desejo receber um alerta com estes assuntos:
restrição calórica    infertilidade    defeitos congênitos    Massachusetts General Hospital    Jonathan Tilly   
Comentários:
Comentar
Deixe seu comentário
Fechar
(Campos obrigatórios estão marcados com um *)

(O seu email nunca será publicado ou partilhado.)

Digite a letras e números abaixo e clique em "enviar"

  • Twitter iSaúde
publicidade
Jornal Informe Saúde

Indique o portal
Fechar [X]
  • Você está indicando a notícia: http://www.isaude.net
  • Para que seu amigo(a) receba esta indicação preencha os dados abaixo:

RSS notícias do portal  iSaúde.net
Receba o newsletter do portal  iSaúde.net
Indique o portal iSaúde.net
Notícias do  iSaúde.net em seu blog ou site.
Receba notícias com assunto de seu interesse.
© 2000-2011 www.isaude.net Todos os direitos reservados.