De acordo com a organização Médico Sem Fronteiras (MSF), refugiados exaustos da Somália, na África, estão cruzando a fronteira do país rumo à Etiópia e Quênia em busca de atendimento médico e tratamento para as crianças desnutridas. "A maioria dos programas de alimentação terapêutica na Somália está sobrecarregada, com mais de 3.400 crianças envolvidas em programas nutricionais. Nós estamos cuidando de emergências nutricionais em vários locais na região do vale de Lower Juba, em Galgaduud, Mudug, Lower Shabelle, e na região de Bay. Nas últimas semanas, nós vimos um grande aumento nos casos, já que as pessoas viajaram centenas de quilômetros para ter acesso a cuidados de saúde e tratamento para suas crianças desnutridas", disse Joe Belliveau, diretor operacional de MSF.
Uma avaliação realizada pela organização de MSF no acampamento de Dadaab, localizado no leste do Quênia, aponta um aumento populacional muito rápido.Equipes de MSF chegaram a encontrar altas taxas de desnutrição entre as novas chegadas - 37.7% das pessoas estão com desnutrição aguda, e 17.5% estão com desnutrição aguda severa. Como conseqüência, MSF admitiu 320 crianças no seu Centro de Alimentação Terapêutica apenas em junho, três vezes mais do que no mesmo período de 2010. A pesquisa também verificou que 43.3% das crianças entre cinco e 10 anos estão desnutridas.
Outra preocupação, segundo a MSF, é a demora na assistência oferecida aos refugiados recém-chegados. Desde o dia 30 de junho, eles recebem alimentos para até 15 dias no momento da chegada, mas têm que esperar até 40 dias para a segunda porção de alimentos. "Famílias que chegam em Dadaab estão procurando um lugar seguro, e é inaceitável que tenham de esperar tanto tempo para receber as formas de assistência mais básicas, como água e alimentos", disse Emilie Castaigner, coordenadora de projeto de MSF no Quênia.