Ciência e Tecnologia
publicado em 01/07/2011 às 21h30:00
   Dê o seu voto:

 
tamanho da letra
A-
A+

Pesquisadores da University of North Carolina (UNC) utilizaram a ortogenética para controlar o comportamento de busca por recompensa em ratos. As descobertas sugerem que os tratamentos que atacam a via entre duas regiões cerebrais essenciais, a amígdala e o núcleo accumbens, representam tratamentos possíveis para a dependência e para outras doenças neuropsiquiátricas.

Usando uma combinação de engenharia genética e de tecnologia laser, os cientistas manipularam as ligações elétricas do cérebro responsáveis pelos comportamentos de busca de prazer, como a dependência de drogas. O trabalho realizado em modelos de roedores é o primeiro a demonstrar diretamente o papel destas conexões específicas para controlar o comportamento.

O estudo usa uma técnica de última geração chamada de "optogenética" para ajustar os microcircuitos do cérebro e, em seguida, avaliar como estas mudanças têm impacto no comportamento. "Sabíamos que, para a maioria dos distúrbios clínicos, uma região ou outra no cérebro era importante, no entanto, até agora não temos as ferramentas para estudar diretamente as conexões entre estas regiões. Nossa capacidade de manipular o circuito neural com este nível de sofisticação poderá conduzir à descoberta de elementos moleculares perturbados durante as doenças neuropsiquiátricas", disse o professor de fisiologia celular e molecular Garret D. Stuber.

Como o cérebro é composto de diversas regiões, tipos de células e conexões em um espaço compacto, identificar qual entidade é responsável por qual função pode ser bastante complicado. No passado, os pesquisadores tentaram vislumbrar o funcionamento interno do cérebro por estimulação elétrica ou de drogas, mas estas técnicas não poderiam mudar rápida e especificamente apenas um tipo de célula ou de conexão. Mas a optogenética, uma técnica que surgiu há seis anos, pode.

Os cientistas transferem proteínas sensíveis à luz (opsinas) - derivadas de algas ou bactérias que precisam de luz para crescer - para dentro das células do cérebro a ser estudado. Em seguida, eles projetam feixes de laser sobre as células cerebrais geneticamente manipuladas, excitando ou bloqueando a atividade com uma precisão de milissegundos.

Nos experimentos iniciais de Stuber, o alvo foram as células nervosas que conectavam duas regiões cerebrais associadas à recompensa, a amígdala e o núcleo accumbens. Os pesquisadores usaram luz para ativar as conexões entre estas regiões, "recompensando" os ratos com estímulos de laser para realizar a tarefa comum de colocar o focinho em um buraco da gaiola. Eles descobriram que os ratos tratados com opsina rapidamente aprenderam a realizar a tarefa a fim de receber a recompensa. Em comparação, os ratos do grupo controle que não foram geneticamente modificados nunca entenderam a tarefa.

Em seguida, Stuber e seus colegas queriam ver se estas ligações elétricas do cérebro tinham participação em processos comportamentais mais naturais. Então, eles treinaram ratos para associar uma sugestão - uma lâmpada se acendendo na gaiola - a uma recompensa: água com açúcar. Desta vez, a opsina que os pesquisadores transferiram para os cérebros dos roedores era do tipo que cessaria a atividade de conexões neurais que ocorrem em resposta à luz. Quando entregaram a sugestão simples para os ratos do grupo controle, eles bloquearam a atividade neuronal nos ratos geneticamente alterados. Os animais controle rapidamente começaram a responder à sugestão, lambendo o vaso de produção de açúcar em antecipação, enquanto os ratos tratados não deram a mesma resposta.

Os pesquisadores estão explorando agora como as mudanças neste segmento das ligações elétricas do cérebro pode tornar um animal sensível ou alheio a recompensas. Stuber diz que sua abordagem apresenta uma ferramenta incrivelmente útil para estudar as funções cerebrais básicas, e que um dia poderá oferecer uma alternativa poderosa à estimulação elétrica ou à farmacoterapia para as doenças neuropsiquiátricas, como a doença de Parkinson.

"Para a doença de Parkinson em estágio avançado, tornou-se mais rotineiro utilizar a estimulação cerebral profunda, na qual os eletrodos são implantados no tecido do cérebro, estimulando constantemente o tecido para aliviar alguns dos sintomas da doença. Do ponto de vista técnico, a implantação de fibras ópticas não vai ser mais difícil do que isso. Mas ainda há trabalho a ser feito antes de se chegar a esse ponto", disse Stuber.

Fonte: Isaude.net
  • Indique esta NotíciaIndique esta Notícia
  • Indique esta NotíciaCorrigir
  • CompartilharCompartilhar
  • AlertaAlerta
Link reduzido: 
  • Você está indicando a notícia:
  • Para que seu amigo(a) receba esta indicação preencha os dados abaixo:

  • Você está informando uma correção para a matéria:


Receba notícias do iSaúde no seu e-mail de acordo com os assuntos de seu interesse.
Seu nome:
Seu email:
Desejo receber um alerta com estes assuntos:
comportamento de busca de recompensa    dependência    doenças neuropsiquiátricas    amígdala    núcleo accumbens    optogenética   
Comentários:
Comentar
Deixe seu comentário
Fechar
(Campos obrigatórios estão marcados com um *)

(O seu email nunca será publicado ou partilhado.)

Digite a letras e números abaixo e clique em "enviar"

  • Twitter iSaúde
publicidade
Jornal Informe Saúde

Indique o portal
Fechar [X]
  • Você está indicando a notícia: http://www.isaude.net
  • Para que seu amigo(a) receba esta indicação preencha os dados abaixo:

RSS notícias do portal  iSaúde.net
Receba o newsletter do portal  iSaúde.net
Indique o portal iSaúde.net
Notícias do  iSaúde.net em seu blog ou site.
Receba notícias com assunto de seu interesse.
© 2000-2011 www.isaude.net Todos os direitos reservados.