Ciência e Tecnologia
publicado em 15/06/2011 às 21h00:00
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Pessoas com altos níveis do aminoácido cisteína têm de 6 a 10 quilos a mais de gordura que as outras pessoas. O estudo de pesquisadores noruegueses sobre este fenômeno está gerando conhecimentos que podem ajudar a prevenir e tratar a obesidade que envolve riscos de vida.

"Há uma correlação muito forte entre os altos níveis de cisteína e a obesidade. A questão é se esta é uma relação causal. A maioria da gordura corporal se deve a um alto nível de cisteína e, em caso afirmativo, qual é a conexão? Por que algumas pessoas têm níveis mais altos de cisteína? Qual a influência dos fatores genéticos e da dieta?" , questiona a pesquisadora Helga Refsum.

Os pesquisadores agora estão focando em obter algumas respostas. Um estudo abrangente visa esclarecer o mecanismo biológico que associa a cisteína à obesidade. O projeto começou em 2010 e será executado até 2013.

Os longos e complexos processos bioquímicos das enzimas para converter os alimentos em energia e para construir blocos pode ser afetado por muitos fatores. O mesmo é verdadeiro para a quebra de gordura. A pesquisa de Refsum indica que a cisteína desempenha um papel fundamental na forma como o corpo metaboliza energia, armazena e quebra a gordura. Os pesquisadores também vão estudar como a cisteína afeta o cérebro - por exemplo, se ela pode influenciar a sensação de saciedade.

"Sabemos que há um forte componente genético para o peso do corpo e seu teor de gordura. Olhe a diferença entre machos e fêmeas! As mulheres sempre têm mais gordura corporal que os homens. A natureza pretendeu que fosse assim e é como deve ser", comentou Refsum, apontando que 50% a 80% do peso corporal se deve a fatores genéticos.

O percentual de gordura corporal varia muito entre os grupos étnicos. Levando em conta tais diferenças, o pessoal de saúde ajusta o critério para a obesidade do índice de massa corporal (IMC) às diferentes populações. Os fatores genéticos estão envolvidos nos níveis de cisteína. Na verdade, Segundo Refsum, as duas doenças genéticas demonstraram uma relação clara.

Pessoas com a forma mais comum de uma doença genética conhecida como homocistinúria têm falta de enzimas que convertem a homocisteína em cisteína. Essas pessoas têm baixos níveis de cisteína e são extremamente magras. Em contrapartida, as pessoas com uma doença genética diferente, a síndrome de Down, tem 50% a mais que o normal da mesma enzima e também têm os níveis de cisteína mais elevadas do que a média e tendem a ter excesso de peso.

"Queremos saber se a cisteína se associa à morbidade relacionada à obesidade - a miríade de doenças como o diabetes, as doenças cardiovasculares e certos tipos de câncer que estão associados com a obesidade. De uma perspectiva de saúde pública, este é o aspecto da obesidade com o qual precisamos nos preocupar" , aponta .

A equipe demonstr ou que a redução dos níveis de cisteína leva à perda de peso em camundongos e ratos. Com suplementos posteriores de cisteína, o peso retorna juntamente com um risco maior de diabetes. Os pesquisadores estão investigando toda a cadeia complexa de reações químicas durante o metabolismo, desde a ingestão de alimentos às funções da cisteína. A cisteína está claramente relacionada com o peso e eles querem descobrir o que determina os níveis de cisteína.

"Nossos experimentos com camundongos e ratos até agora descartaram a metionina (um aminoácido envolvido antes da cisteína no processo metabólico) como o culpado. E estamos progredindo continuamente rumo a uma explicação", diz Refsum.

Mais pesquisas vão incluir experimentos sobre células de gordura, células hepáticas e células-tronco, além de novos estudos em ratos e camundongos. Refsum também quer analisar mais os dados provenientes de estudos em populações norueguesas e internacionais. Os resultados de outros estudos indicam que o nível de cisteína não é diretamente afetado pela dieta. "Precisamos investigar isso mais de perto, é claro. Quando determinarmos se é possível alterar os níveis de cisteína por meio de dieta, poderemos propor novas recomendações nutricionais", diz.

Os cientistas preveem o desenvolvimento de medicamentos que regulem os níveis de cisteína, a fim de prevenir o ganho de peso e tratar a obesidade mórbida. A equipe de pesquisa está se preparando para testar medicamentos que podem ser capazes de influenciar o metabolismo da cisteína em ratos.

Fonte: Isaude.net
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