A tecnologia utilizada para substituir dentes perdidos com implantes de titânio está sendo melhorada por pesquisadores da University of Gothenburg. Ao estudar a estrutura da superfície dos implantes dentários não só no nível micro, mas também no nível nano, os cientistas descobriram um método que pode encurtar o tempo de cicatrização para os pacientes.
"Aumentar a superfície ativa em nível nano e alterar a condutividade do implante nos permite afetar a biomecânica do próprio corpo e acelerar a cicatrização do implante. Isso reduziria o desconforto para os pacientes e contribuiria para uma melhor qualidade de vida durante o processo de cicatrização", diz Johanna Loberg.
Os implantes dentários têm sido usados para substituir dentes perdidos há mais de 40 anos. Per-Ingvar Br?nemark, que ganhou recentemente o prêmio Inventor Europeu, foi a primeira pessoa a perceber que o corpo aceitava muito bem o titânio e que ele poderia ser implantado nos ossos sem ser rejeitado. O titânio é coberto com uma fina camada de óxido formado naturalmente e são as propriedades deste óxido que determinam a probabilidade de o implante se fundir com o osso.
Logo perceberam que uma superfície rugosa era melhor do que uma suave e, hoje em dia, a superfície dos implantes geralmente é caracterizada por diferentes níveis de rugosidade, das nanoestruturas finas às sobrepostas. A ancoragem do implante no osso exerce um efeito mecânico sobre o tecido ósseo - conhecido como estimulação biomecânica - que facilita a formação de osso novo. Como a topografia (rugosidade) da superfície é importante para a formação de osso novo, é essencial poder medir e descrever sua aparência em detalhe. Mas a rugosidade não é a única propriedade que afeta a cicatrização.
Johanna Loberg descobriu um método que descreve a topografia do implante da escala micro à nano e que permite estimativas teóricas sobre a ancoragem no osso para topografias de superfície diferente. O método pode ser usado no desenvolvimento de novos implantes dentários para otimizar as propriedades de formação óssea e de cicatrização. Ela também estudou a condutividade do óxido e os resultados mostram que uma condutividade ligeiramente superior traz uma resposta celular melhor e adianta o processo de deposição de minerais, ambos importantes para a formação óssea.
Os resultados estão de acordo com estudos em animais e estudos clínicos do implante comercial OsseoSpeedÓ (Astra Tech AB), que demonstram uma condutividade ligeiramente superior para o óxido e também um intercâmbio entre o hidróxido e flúor na superfície do óxido. Superfícies com nanoestrutura bem definida têm uma área ativa maior e respondem rapidamente à deposição de minerais formadores dos ossos.