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publicado em 14/06/2011 às 20h00:00
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Pesquisadores do Instituto de Saúde Coletiva e da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia se uniram para pensar um modelo de comunicação para saúde no combate à tuberculose. Projeto investigou entre 2008 e 2010 os casos da doença suas formas de prevenção e controle no Centro Histórico de Salvador, um dos Distritos Sanitários (DS) com maior número de focos de tuberculose.

Durante a pesquisa, estigmas, preconceitos, tratamento e as ações de prevenção em uma comunidade do Centro Histórico foram alvo do trabalho, que contou com o filme: " Conversações sobre a Tuberculose" , produzido pelo professor José Francisco Serafim, da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia,

Outro resultado do projeto é o " Guia de Comunicação em Saúde: melhorando a qualidade da interação comunicativa entre profissionais de saúde e comunidades sobre a tuberculose" - um protocolo que, segundo a professora Graciela Natansohn, também da Faculdade de Comunicação, "é uma espécie de manual que pode ser utilizado pelos centros e os gestores de saúde."

Nesse tipo de pesquisa multidisciplinar, a experiência prévia na interface entre a comunicação e a saúde das professoras envolvidas foi fundamental. Lígia Rangel, médica sanitarista, trabalhou em um programa de combate à tuberculose durante 6 anos em São Paulo, atendendo pessoas portadoras da doença. Graciela Natansohn trabalhou durante 15 anos no Ministério da Saúde na Argentina. Desde assessoria de comunicação, passou por planejamento da comunicação e saúde e trabalhou com educação ligada à área.

Ainda hoje a doença é estigmatizada e ligada à comportamentos promíscuos e à pobreza. O projeto teve como objetivo criar um protocolo que ajude profissionais de saúde na orientação da população para superar preconceitos e a se prevenirem contra a tuberculose.

Segundo Graciela Natansohn, a pesquisa tinha a intenção de fazer um mapeamento do problema, que não é apenas específico da saúde, mas também da comunicação, para subsidiar políticas públicas. " A questão é que as dimensões da cultura e da comunicação não são levadas em conta na hora de se pensar numa política pública para a tuberculose." , diz a pesquisadora.

Um exemplo é o preconceito sofrido pelos portadores da doença. "É necessário pensar em medidas específicas, a fim de que a prática dos enfermeiros, dos médicos, possam contornar esses problemas culturais" , recomenda Natansohn.

Ainda sobre os preconceitos ligados à doença, Lígia Rangel, do Instituto de Saúde Coletiva (ISC), diz que a falta de informação persiste: " a tuberculose tem cura. Mas as pessoas ignoram isso. Em uma conversa num grupo focal, essas pessoas achavam que a tuberculose se pegava pela água, que se transmite pelos objetos. Mas já está provado que não se passa dessa forma, e sim pelo ar" , explica Rangel. Para ela, o conhecimento cientifico está distante da população, mas não de uma maneira tradicional e descritiva.

O modelo de educação e comunicação desenvolvido no país para prevenção e combate à tuberculose não tem o impacto desejado na população. " Não basta você fazer campanhas, divulgar informação na mídia, porque as pessoas são muito diferentes. Precisamos conhecer as realidades e trabalhar com as pessoas, não para as pessoas, porque elas vão poder nos dizer algo que não sabemos, como as formas de tratar a tuberculose que as benzedeiras e as curandeiras usam, por exemplo." completa Rangel.

Metodologia

De acordo com ela, a metodologia aplicada na pesquisa permite para o profissional que for trabalhar nessas comunidades, estar mais próximo dos molestados. " Devemos conhecer mais para poder dialogar com as pessoas sobre isso, sem partir para uma ação que seja vertical, autoritária, desrespeitosa" , finaliza a docente do ISC.

O processo continua com os professores integrantes da pesquisa, que abrangem saúde, comunicação e cinema, com um novo olhar para compreender a importância de uma boa estratégia para combater uma das doenças que mais atinge os soteropolitanos, como ratifica Lígia Rangel: " temos a segunda parte, que é a capacitação comunitária e profissional com o pessoal da comunidade e profissionais da saúde que quiserem se engajar no projeto de transformação cultural. Eles poderão aprender através do curso, que será oferecido pela Ufba e usar essa metodologia pra falar sobre a doença."

A pesquisa " Estratégias de Informação, Comunicação & Saúde. Metodologia de comunicação no controle da tuberculose em Salvador- Bahia" , sediada no Instituto de Saúde Coletiva (ISC) e coordenado pela professora Ligia Rangel, do ISC, teve a presença dos professores, José Francisco Serafim e Graciela Natansohn, ambos da Faculdade de Comunicação da UFBA. O trabalho combinou os olhares da comunicação, saúde e cinema sobre a realidade da tuberculose na cidade.

Fonte: Isaude.net
   Palavras-chave:   Tuberculose    Comunicação    UFBA    Bahia   
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