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publicado em 22/05/2011 às 13h00:00
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Estudo realizado pela instituição norte-americana Johns Hopkins aponta que quatro em cada dez sites de hospitais nos Estados Unidos divulgam o uso da cirurgia robótica sem, no entanto, apresentar evidências científicas de que o procedimento seja mais eficiente do que as intervenções cirúrgicas convencionais.

Os materiais promocionais superestimam os benefícios dos robôs cirúrgicos, ignoram grande parte dos riscos e são fortemente influenciados pelo fabricante do produto.

"O público considera o site oficial de um hospital como uma fonte autorizada de informações médicas vindas de um médico", diz o Dr. Marty Makary. "Mas neste caso, os hospitais têm terceirizado conteúdo de educação do paciente para o fabricante do dispositivo, permitindo que a indústria faça reivindicações que não são fundamentadas pela literatura. É desonesto e é enganoso".

Nos últimos quatro anos, Makary diz, o uso de robôs para executar cirurgias minimamente invasivas do coração, ginecológicas e de próstata e outros tipos de procedimentos comuns cresceu 400%. Os proponentes dizem que as operações assistidas por robôs usam incisões menores, são mais precisas e resultam em menos dor e estadias mais curtas no hospital - os autores do estudo dizem que tais proposições são infundadas. Mais hospitais estão comprando equipamentos novos e caros e muitos usam uma publicidade agressiva para atrair pacientes que querem ser tratados com o que pensam ser o melhor e o mais novo em tecnologia médica.

Mas Makary diz que não há estudos randomizados e controlados demonstrando benefícios ao paciente com a cirurgia robótica. "Novo nem sempre significa melhor", diz ele, acrescentando que as cirurgias robóticas levam mais tempo, mantêm o paciente sob anestesia por mais tempo e são mais caras.

Nada disso fica evidente ao ler os sites dos hospitais que promovem a sua utilização, ele diz. Por exemplo, ele aponta que 33% dos sites de hospitais que fazem propagandas de cirurgia robótica dizem que o dispositivo produz melhores resultados no câncer - uma noção que ele aponta como enganosa a uma população com câncer vulnerável e em busca do melhor atendimento.

Makary e seus colegas analisaram 400 sites selecionados aleatoriamente de hospitais dos Estados Unidos de 200 leitos ou mais. Os dados coletados eram sobre a presença e a localização de informações sobre cirurgia robótica no site, a utilização de imagens ou de textos fornecidos pelo fabricante e as alegações feitas sobre o desempenho do robô.

% dos sites de hospitais analisados descreveram a disponibilidade de cirurgia robótica e sua mecânica, o estudo descobriu. Destes, 37% apresentavam a informação na página inicial e 66% a mencionaram a um clique da página inicial. Materiais fornecidos pelo fabricante foram usados em 73% dos sites, enquanto 33% apresentavam um link direto para o site do fabricante.

Ao descrever a cirurgia robótica, os pesquisadores descobriram que 89% fizeram uma alegação de superioridade clínica sobre as cirurgias convencionais, a mais comum sendo menos dor (85%), de recuperação mais curta (86%), menos cicatrizes (80%) e menor perda de sangue (78%). 32% declararam um resultado aperfeiçoado para o câncer. Nenhum mencionou quaisquer riscos.

"Esta é uma tendência realmente assustadora", diz Makary. "Estamos permitindo que a indústria fale em nome dos hospitais e façam reivindicações".

Makary diz que os sites não deixam claro como as instituições ou médicos chegaram às suas pretensões de superioridade do robô, ou que tipos de comparações estão sendo feitas. "A cirurgia robótica foi comparada ao padrão de atendimento, que é a cirurgia laparoscópica, ou à cirurgia aberta? - no segundo caso seria uma comparação irrelevante, porque os robôs são utilizados apenas nos casos em que somente técnicas minimamente invasivas suficientes", diz Makary.

Makary diz que o uso de imagens e textos fornecidos pelo fabricante também levanta sérias questões de conflitos de interesse. Ele diz que os hospitais devem se policiar para não informar s pacientes de forma errada. A Johns Hopkins Medicine, por exemplo, proíbe o uso de conteúdo fornecido pela indústria em seus sites.

"Os hospitais precisam ser mais conscientes de seu papel como conselheiros médicos de confiança e assegurar que as informações fornecidas em seus sites representem as melhores evidências disponíveis", diz ele. "Caso contrário, é uma violação da confiança pública".

Fonte: Isaude.net
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