Dermatologistas da University of California, nos Estados Unidos, descobriram que pessoas que têm pressão arterial elevada, assim como psoríase - doença que faz com que algumas áreas da pele fiquem irritadas, coçando e vermelhas - são mais propensas a ter pressão arterial mais severa e necessitam de mais medicamentos para controlá-la do que pessoas sem psoríase . A associação entre a pressão arterial elevada (hipertensão) e a psoríase é uma área ativa de investigação, mas este é o primeiro estudo a sugerir uma ligação entre a doença dermatológica e gravidade da hipertensão.
"Nosso estudo constitui um forte argumento de que a psoríase não é apenas uma doença da pele", diz April W. Armstrong, professora de dermatologia, principal pesquisadora e autora do estudo. "Estamos começando a achar que a psoríase pode representar uma janela para detectar as doenças cardiovasculares, incluindo a hipertensão".
A psoríase atinge cerca de 4% da população dos EUA e provoca manchas avermelhadas na pele com prurido, espessamento e ressecamento. É transmitida hereditariamente e é acredita-se que é causada quando o sistema imunológico de uma pessoa, por engano, ataca as células da própria pele. A gravidade da doença varia consideravelmente entre os indivíduos e ao longo do tempo. Muitas vezes piora durante o tempo seco ou com infecções.
"Os resultados do estudo podem alertar os prestadores de cuidados primários, cardiologistas e nefrologistas, os quais frequentemente tratam a hipertensão", disse Armstrong. "Os pacientes hipertensos que também têm psoríase tendem a necessitar de um acompanhamento mais próximo e de um regime medicamentoso mais agressivo para conseguir o controle adequado da pressão arterial".
O estudo da UC-Davis envolveu 835 pacientes que tiveram psoríase e hipertensão arterial. Seus casos foram comparados com mais de 2.400 outros indivíduos (grupo de controle) que tinham hipertensão, mas não psoríase. A gravidade da hipertensão foi baseada nos níveis de tratamento, variando de modificações no estilo de vida a medicamentos e agentes de ação central que atacam o sistema nervoso central.
O maior nível de tratamento, que depende de um agente de ação central (também conhecido como inibidor adrenérgico), está reservado para aqueles indivíduos cuja pressão arterial não pode ser controlada por medicamentos convencionais. Descobriu-se que pacientes com psoríase necessitam significativamente mais desses tipos de terapias intensivas da hipertensão arterial do que aqueles sem psoríase. Por exemplo, pacientes hipertensos com psoríase tinham quase 20 vezes mais chances de estar usando quatro drogas, ou um agente de ação central, do que os pacientes hipertensos sem psoríase. Os resultados foram considerados significativos, mesmo depois de controlar estatisticamente outros fatores de risco associados à hipertensão, incluindo o diabetes, o tabagismo e o colesterol elevado.
A hipertensão é um fator de risco essencial para a doença cardiovascular e aumenta a chance de uma pessoa de ter um ataque cardíaco ou um derrame. A ligação entre a psoríase e a doença cardiovascular foi relatada pela primeira vez na literatura médica na década de 1970 e desde então os pesquisadores desenvolveram uma série de teorias inconclusivas para explicar a conexão:
De acordo com Armstrong, é pouco provável que as drogas usadas para tratar a psoríase sejam responsáveis pela maior gravidade da hipertensão. A maioria dos medicamentos utilizados para tratar a doença são aplicados somente na pele e não são absorvidos o suficiente pela corrente sanguínea para ter efeitos generalizados. A medicação oral para a psoríase, que poderia afetar a pressão arterial geralmente é usada apenas por breves períodos durante crises graves da doença.
Armstrong, que dirige a unidade de pesquisa clínica de seu departamento, está agora liderando um grupo de pesquisadores para estudar se as pessoas com psoríase também têm mais doença de artéria coronária severa.
"Nosso entendimento da psoríase como uma doença sistêmica está evoluindo rapidamente", disse Armstrong. "A melhor apreciação das outras condições que tendem a acompanhar a psoríase poderia conduzir o tratamento da doença no futuro".