Geral
publicado em 09/05/2011 às 10h40:00
   Dê o seu voto:

 
tamanho da letra
A-
A+

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) investigaram o perfil epidemiológico dos acometidos no Maranhão no período de 2006 a 2008. A suspeita de contaminação do arroz por micotoxinas de fungos que interfeririam na absorção da tiamina pelo organismo foi levantada como possível etiologia do ressurgimento do beribéri no Maranhão.

A pesquisa também evidenciou que o maior percentual de casos e óbitos no período de maio a agosto de 2006 coincidiu com o final do plantio nas atividades agrícolas nas regiões afetadas, em que os sistemas de cultivo predominantes são os de arroz, milho, mandioca e feijão. Essas atividades seriam classificadas como pesadas e elevariam o requerimento energético e, em consequência, a exigência de tiamina. Indivíduos que já subsistem com dietas pobres da vitamina poderiam desenvolver sintomas de deficiência desta quando submetidos à atividade física intensa.

" Considera-se pertinente que estudos sobre a determinação do processo de adoecer e morrer em decorrência de beribéri e seu ressurgimento no país sejam aprofundados, tendo em vista que casos continuam a ser notificados no Maranhão e em outros estados das regiões norte e nordeste" , afirmam os estudiosos.

De acordo com os pesquisadores, há a necessidade de investigar com maior profundidade os elementos associados ao beribéri que estão presentes nas regiões oeste e central do estado, mas ausentes nas demais. " As áreas com casos notificados são produtoras de arroz; assim, a doença poderia acometer tanto os trabalhadores rurais, quanto os consumidores" , destacam os pesquisadores. " Apesar das providências adotadas, como a interdição cautelar do arroz suspeito e a substituição do arroz interditado, ainda não foi possível associar a presença do fator tóxico ao quadro clínico, o que permite concluir que a dieta restrita ao arroz polido e a baixa condição socioeconômica da maioria dos acometidos podem estar, de fato, associadas ao surto de beribéri aqui discutido" .

Números

" Em nível mundial, o beribéri não é mais uma doença largamente difundida na população. Apenas focos isolados têm sido observados nos últimos 20 anos" , explicam os estudiosos. " O padrão geográfico de ocorrência do beribéri no Maranhão, que afetou cerca de um quarto dos municípios do estado, localizados nas regiões oeste e central, é atípico" . Segundo os pesquisadores, no período estudado foram registrados 1207 casos e 40 óbitos, tendo estes ocorridos no ano de 2006. Quase a totalidade dos óbitos ocorreu entre indivíduos do sexo masculino e em 80% desses casos eles residiam em área urbana. Homens e a faixa etária de 20 a 30 anos foram os mais acometidos.

Os dados apontam que os sintomas mais referidos, informados nas fichas de notificação, foram: diminuição da força nas pernas, dormência e edema nos membros inferiores, dificuldade de caminhar e dor na panturrilha. Dispneia e cansaço também foram relatados. " Como, no início, a sintomologia é inespecífica, há dificuldade para o diagnóstico precoce do beribéri, que geralmente ocorre somente quando os sintomas evoluem para quadros mais graves" , dizem os pesquisadores. "É possível que os maranhenses acometidos praticamente não dispusessem da pequena reserva que o organismo mantem de vitaminas hidrossolúveis, uma vez que o tempo decorrido entre o aparecimento dos primeiros sintomas e a notificação foi inferior a três meses para a grande maioria dos casos e óbitos" .

Fonte: Isaude.net
   Palavras-chave:   Beribéri    Perfil epidemiológico    Maranhão    USP   
  • Indique esta NotíciaIndique esta Notícia
  • Indique esta NotíciaCorrigir
  • CompartilharCompartilhar
  • AlertaAlerta
Link reduzido: 
  • Você está indicando a notícia:
  • Para que seu amigo(a) receba esta indicação preencha os dados abaixo:

  • Você está informando uma correção para a matéria:


Receba notícias do iSaúde no seu e-mail de acordo com os assuntos de seu interesse.
Seu nome:
Seu email:
Desejo receber um alerta com estes assuntos:
beribéri    perfil epidemiológico    Maranhão    USP   
Comentários:
Comentar
Deixe seu comentário
Fechar
(Campos obrigatórios estão marcados com um *)

(O seu email nunca será publicado ou partilhado.)

Digite a letras e números abaixo e clique em "enviar"

  • Twitter iSaúde
publicidade
Jornal Informe Saúde

Indique o portal
Fechar [X]
  • Você está indicando a notícia: http://www.isaude.net
  • Para que seu amigo(a) receba esta indicação preencha os dados abaixo:

RSS notícias do portal  iSaúde.net
Receba o newsletter do portal  iSaúde.net
Indique o portal iSaúde.net
Notícias do  iSaúde.net em seu blog ou site.
Receba notícias com assunto de seu interesse.
© 2000-2011 www.isaude.net Todos os direitos reservados.