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publicado em 02/05/2011 às 08h00:00
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Substância encontrada no feijão de corda destrói células cancerígenas

Pesquisa da UnB mostra que uma molécula do grão consegue matar as células doentes sem agredir as saudáveis

 
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Foto: Nguyen Thanh Quang
Vigna unguiculata cylindrica, popularmente conhecida como
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Vigna unguiculata cylindrica, popularmente conhecida como "feijão de corda"

Pesquisadores do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de Brasília descobriram no popular feijão-de-corda uma nova alternativa para o tratamento do câncer de mama. Estudo conduzido pela pesquisadora Sônia de Freitas em parceria com o professor Ricardo de Azevedo, do Departamento de Morfologia, mostra que uma molécula encontrada no grão, chamada BTCI, mata células cancerígenas sem agredir células sadias. A observação foi feita na dissertação da aluna Graziella Joanitti que realizou testes in vitro, com a presença de BTCI em baixa concentração (400 micromolar).

Resultado de oito anos de estudos com a BTCI (black eyed-pea Trypsin Chymotripsin inhibitor), no futuro, a descoberta pode garantir um tratamento com menos efeitos colaterais que os adotados atualmente, como a radioterapia e a quimioterapia, que não são tão seletivos e podem causar a morte de células sadias. " Por ser um produto natural ele pode ser uma alternativa com menos efeitos colaterais" , afirma Sônia. A doença acomete 49 mulheres em cada 100 mil no Brasil, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer.

A BTCI é de uma classe de substâncias importantes em diversos eventos celulares, como resposta na infecção por bactérias e fungos e na coagulação. Sônia explica que o câncer regride porque a BTCI causa a fragmentação do DNA das células doentes, altera a integridade da membrana e do núcleo e cria estruturas que digerem o conteúdo das células, como os lissosomos e os autofagosomos.

Os estudos mostram ainda outras propriedades importantes. A molécula inibe a atividade das enzimas tripsina, caspase e quimotripsina-like do proteassoma, um complexo proteico que está relacionado à regulação do ciclo celular, tema de dissertação da aluna Larissa Souza. " O proteassoma é peça fundamental na divisão de células cancerígenas" , esclarece Sônia de Freitas.

A pesquisadora estima que serão necessários pelo menos quatro anos para realizar estudos clínicos. Como se trata de uma molécula de alta estabilidade, a BTCI pode ser facilmente administrada, inclusive por via oral. Uma coletânea dos estudos sobre a BTCI, que contou com apoio de diversos pesquisadores, foi apresentada no 1º seminário de medicina translacional, realizado na UnB no começo deste mês.

Pesquisas

Um dos principais pontos para o sucesso da pesquisa foi o profundo conhecimento adquirido em 40 anos de pesquisa do professor emérito da UnB, Manuel Mateus Ventura. Vindo de Fortaleza, capital do Ceará, ele trouxe o conhecimento sobre o feijão-de-corda e criou a pós-graduação de Biologia Celular da UnB, onde estudou a BTCI junto com Sônia, que hoje coordena o laboratório.

De acordo com Sônia, este conhecimento proporcionou um estudo aprofundado. "É uma pesquisa vertical. Iniciou-se com a purificação e a caracterização da molécula e hoje já estamos com a estrutura atômica, obtida a partir de dados do cristal da proteína coletados no Laboratório Nacional de Luz Sincroton, em Campinas", diz. Ela explica que, ao conhecer a estrutura da molécula, pode-se predizer mecanismos celulares e consequentemente a função biológica deles.

Alunos de doutorado e mestrado continuarão o estudo. Um deles, em colaboração com Ricardo Bentes e a aluna Graziella Joanitti, investiga a ação da molécula encapsulada em camundongos com câncer. Outro, em colaboração com Luciano Paulino, Marcelo Bemquerer e o Manasses Fonteles, estuda a ação do BTCI em relação à hipertensão.

Fonte: AGÊNCIA UnB
   Palavras-chave:   Câncer de mama    Feijão de corda    Sônia de Freitas    UnB    Distrito Federal   
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