Idosos com perda auditiva são significativamente mais prováveis a desenvolver demência do que aqueles que conservam a audição. A conclusão foi feita por pesquisadores da Universidade Johns Hopkins e do Instituto Nacional sobre Envelhecimento, Estados Unidos.
Os resultados, dizem os pesquisadores, podem levar a novas formas de combater a demência, uma condição que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e carrega um pesado fardo social.
Embora a razão para a ligação entre as duas condições seja desconhecida, os investigadores sugerem que uma patologia pode ser a base comum por ambas, ou que o esforço de decodificar sons ao longo dos anos pode sobrecarregar o cérebro de pessoas com perda auditiva, deixando-as mais vulneráveis à demência.
Eles também especulam que a perda auditiva pode levar à demência, tornando os indivíduos socialmente mais isolados, um conhecido fator de risco para a doença e outros distúrbios cognitivos.
Seja qual for a causa, as descobertas podem oferecer um ponto de partida para as intervenções que possam atrasar ou impedir a demência, melhorando a audição dos pacientes - mesmo que pela utilização de prótese auditiva.
"Os pesquisadores analisaram o que afeta a perda auditiva, mas poucos observaram o quanto uma perda auditiva afeta a função cognitiva do cérebro", disse Frank Lin, professor assistente na divisão de Otologia da Johns Hopkins e líder do estudo. "Não houve interferência entre otologistas e geriatras, por isso foi claro se a perda auditiva e demência estão relacionadas".
O estudo
Para fazer a conexão, Lin e seus colegas usaram dados do Baltimore Longitudinal Study on Aging (BLSA). O BLSA, iniciado pelo Instituto Nacional do Envelhecimento em 1958, seguiu os fatores de saúde em milhares de homens e mulheres ao longo de décadas.
O novo estudo, publicado na revista Archives of Neurology, está focado em 639 pessoas que tiveram a acuidade auditiva e as habilidades cognitivas testadas como parte do BLSA entre 1990 e 1994. Enquanto cerca de um quarto dos voluntários tinham perda de audição no início do estudo, nenhum tinha demência.
Esses voluntários foram então acompanhados de perto, 58 deles haviam desenvolvido demência. Os pesquisadores descobriram que os participantes com a perda auditiva no início do estudo foram significativamente mais propensos a desenvolver demência até o final. Comparados com os voluntários, com audição normal, as pessoas com leve, moderada e severa perda auditiva apresentaram o dobro, o triplo e cinco vezes, respectivamente, maior risco de desenvolver demência ao longo do tempo.
Mesmo depois que os pesquisadores levaram em conta outros fatores associados com risco de demência - incluindo a diabetes, hipertensão arterial, idade, sexo e raça - Lin explica que a perda auditiva e a demência ainda estavam fortemente ligadas.
"Muita gente ignora a perda auditiva, pois é um processo lento e insidioso à medida que envelhecemos", diz Lin. "Mesmo que as pessoas se sintam como se não fossem afetadas, mostramos que gerar um problema mais sério".