Amor materno afeta positivamente o desenvolvimento cerebral dos filhos, tornando-os menos vulneráveis ao estresse. É o que revelam novas descobertas realizadas por pesquisadores do Douglas Mental Health University Institute, no Canadá.
Resultados de dois estudos recentes mostram que o cérebro precisa de amor para funcionar, se desenvolver, compartilhar e para lidar com a doença mental.
Contato materno
A equipe de pesquisa, liderada por Claire-Dominique Walker, confirmou dados de estudos anteriores que afirmavam que a qualidade e a quantidade do leite materno e o contato infantil com a mãe têm impacto significativo na resposta dos filhos ao estresse na vida adulta.
"Este trabalho revê e destaca como fatores críticos no início da vida podem moldar a fisiologia e o comportamento dos filhos adultos", afirmou Walker.
Os pesquisadores mostraram que em modelos animais, a alimentação materna rica em gordura durante o período pré-natal e de lactação atenuou a resposta aos stress dos filhotes recém-nascidos. Além disso, eles demonstraram que mães que lambem seus filhotes também reduziram suas sensibilidades ao estresse na vida adulta.
Walker e seus colegas sugerem que estes estudos têm implicações importantes para os bebês humanos. As intervenções não-invasivas destinadas à nutrição e cuidados maternos, são relativamente fáceis de implementar e podem ter um efeito significativo sobre os resultados de saúde da criança.
Resposta hormonal
Em um segundo estudo, pesquisadores analisaram a influência das experiências de vida precoce sobre a capacidade dos jovens para lidar com situações estressantes.
Indicadores psicológicos e físicos de estresse e os níveis do hormônio do estresse, o cortisol, foram medidos.
"Surpreendentemente, ambos os grupos que receberam baixos e altos cuidados maternos foram associadas a respostas reduzidas ao cortisol", disse a autora sênior do estudo, Jens Pruessner.
"No entanto, enquanto os baixos níveis do hormônio do estresse no grupo de cuidados maternos elevados foram associados com uma auto-estima elevada, os indivíduos no grupo que recebeu pouco cuidado materno apresentaram uma baixa auto-estima."
Com base nesses achados, Pruessner, Walker e sua equipe sugerem que baixos níveis de hormônios do estresse pode ser bom ou ruim, e que somente a combinação entre os níveis do hormônio cortisol com avaliação psicológica pode descrever os indivíduos em risco para desenvolver doenças relacionadas ao estresse.