Ciência e Tecnologia
publicado em 06/01/2011 às 13h49:00
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Estudando como as bactérias incorporam o DNA estrangeiro a partir de vírus invasores em seus próprios processos de regulação, os pesquisadores da Texas A & M University, nos Estados Unidos, estão desvendando os segredos de um dos mais primitivos sistemas imunes da natureza. Os resultados esclarecem como as bactérias ao longo de milhões de anos desenvolveram resistência aos antibióticos através da cooptação do DNA de seus inimigos naturais - o vírus.

A batalha entre as bactérias e os vírus comedores de bactérias vem acontecendo há milhões de anos, com o vírus tentando se auto-replicar invadindo as células das bactérias e integrando-se nos cromossomos delas. Quando isso acontece, a bactéria faz uma cópia de seu cromossomo, que inclui a partícula do vírus. O vírus então pode se replicar, matando a bactéria.

No entanto, as coisas podem dar muito errado para o vírus por causa de mutações aleatórias, mas abundantes, que ocorrem dentro do cromossomo da bactéria. Tendo já se integrado ao cromossomo da bactéria, o vírus está sujeita a mutação, e algumas dessas mutações o tornam incapazes de se replicarem e matar a bactéria.

"Com esta nova mistura de material genético, a bactéria não só supera as intenções letais do vírus, mas floresce também em uma taxa maior do que as bactérias similares que não possuem DNA viral incorporado", explicou o autor do estudo, Thomas Wood.

Durante milhões de anos, este vírus torna-se uma parte normal da bactéria. Ele traz novos truques, novos genes, novas proteínas, enzimas, novas coisas que podem fazer. A bactéria aprende como ele como fazer novas coisas.

"O que descobrimos é que, com este novo DNA viral que ficou preso durante milhões de anos nos cromossomos, a célula tem criado um novo sistema imunológico", observou Wood. "Ela desenvolveu novas proteínas que lhe permitiu resistir a antibióticos e outras coisas nocivas que tentam oxidar as células, tais como peróxido de hidrogênio. Estas células que têm o novo conjunto de truques do vírus não morrem ou não morrem tão rapidamente."

Compreender a significância do DNA viral para as bactérias obrigou a equipe de investigação de Wood a eliminar todo o DNA viral no cromossomo de uma bactéria, neste caso, bactérias a partir de uma cepa de E. coli.

A equipe usou o que de certa forma poderia ser descrita como "tesouras enzimáticas" para "cortar" nove fragmentos virais, que somavam a remoção de 166 mil nucleotídeos. Uma vez que os fragmentos virais foram removidos com sucesso, a equipe examinou como as células da bactéria se modificaram. O que encontraram foi que a sensibilidade da bactéria aos antibióticos aumentou dramaticamente.

"Para colocar isto em perspectiva, em alguns tipos de bactérias, um quinto de seus cromossomos veio de seu inimigo, e até o nosso estudo, as pessoas tinham negligenciado muito o estudo de 20% do cromossomo", disse Wood.

"Nosso estudo é o primeiro a mostrar que precisamos de olhar para todas as bactérias e olhar para suas antigas partículas virais para ver como elas estão afetando a habilidade das bactérias atuais para suportarem coisas como antibióticos", acrescentou ele.

Os pesquisadores acreditam que, se puderem descobrir como as células são mais resistentes a antibióticos devido a esse DNA adicional, talvez possam desenvolver novos antibióticos mais eficazes.

Fonte: Isaude.net
   Palavras-chave:   Bactéria    Vírus    Sistema imune    Thomas Wood    Texas A & M University   
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