Ciência e Tecnologia
publicado em 25/11/2010 às 20h00:00
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Foto: Antoninho Perri/Ascom-Unicamp
A bióloga Rebeka Tomasin: substâncias de plantas podem auxiliar no desenvolvimento de fármacos
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A bióloga Rebeka Tomasin: substâncias de plantas podem auxiliar no desenvolvimento de fármacos

A medicina popular poder ter prós e contras, mas antes de tomar partido, é importante desenvolver estudos acadêmicos para avaliar as propriedades terapêuticas de ervas e produtos popularmente utilizados. Entre aqueles que já demonstraram efeito anticâncer em estudos com ratos, estão a Aloe vera (conhecida como babosa) e o mel. A partir desses estudos, a bióloga Rebeka Tomasin, do Laboratório de Nutrição e Câncer, decidiu combiná-los em um homogeneizado, o mesmo utilizado na medicina popular, para avaliar sua ação sobre o crescimento tumoral e a caquexia em ratos Wistar portadores de tumor de Walker 256. De acordo com a bióloga, os animais tratados com o homogeneizado após a indução do tumor apresentaram resultados positivos na diminuição da massa tumoral e nos efeitos modulatórios sobre os tecidos do hospedeiro (rato portador de tumor) e simultâneo efeito deletério sobre o tecido tumoral.

Rebeka explica que no modelo estudado não houve efeito preventivo contra o estabelecimento do tumor, já que os animais tratados previamente apresentaram pouca ou nenhuma resposta positiva. A proposta, assim como no trabalho de Emilianne Miguel Salomão, é desenvolver pesquisa básica para mostrar a possibilidade de alguns produtos fitoterápicos auxiliarem no tratamento tradicional.

Em um dos experimentos que integraram o estudo, foram coletados tecidos hepático e tumoral de animais sacrificados após 7, 14 e 20 dias de implantação do tumor. A ação do homogeneizado foi diferente no tecido hepático e tumoral: análises imunohistoquímicas de tumores provenientes de animais tratados com o homogeneizado revelaram, ao longo do desenvolvimento tumoral, queda na taxa de proliferação celular e aumento na suscetibilidade à apoptose (morte celular programada). Quando comparados a animais que receberam soro fisiológico, os ratos tratados apresentaram menor peso relativo do tumor. Já a análise do tecido hepático dos animais tratados mostrou queda na suscetibilidade à apoptose em relação aos animais que não foram tratados com Aloe vera e mel. Desta maneira, a ação dos componentes ativos do homogeneizado de Aloe vera e mel prejudica o crescimento e aumenta a propensão à apoptose das células neoplásicas, além de evitar dano hepático, muito comum devido a fatores tóxicos liberados pelo tumor.

Em outro experimento, após 21 dias de evolução tumoral, análises morfométricas, associadas à quantificação de proteínas séricas, bem como avaliação de estresse oxidativo em órgãos como fígado, músculo e coração, mostraram que o homogeneizado de Aloe vera e mel, quando administrado de forma terapêutica, pode auxiliar na modulação do estresse oxidativo, na espoliação e na caquexia.

A análise do estresse oxidativo e da atividade de enzimas antioxidantes revelou que nos animais tratados com Aloe vera e mel, os tecidos hospedeiros foram " protegidos" , enquanto o tecido tumoral sofreu maior " ataque" oxidativo.

Baseada nestes resultados, Rebeka propôs que, neste modelo experimental, a administração de Aloe vera e mel preserva a integridade dos tecidos hospedeiros enquanto provoca detrimento do tecido tumoral.

Para a bióloga, o estudo de tratamentos alternativos e coadjuvantes é de grande valia. Ela pontua que, além das terapias convencionais como quimioterapia, radioterapia e cirurgia, atualmente tem se investido muito em terapias coadjuvantes na tentativa de melhorar ainda mais o prognóstico da doença e a qualidade de vida do paciente. Porém, no caso específico de sua pesquisa, ainda não foram realizados testes em humanos. O que se tem até o momento é pesquisa básica que poderá ser apoio a futuros estudos na área médica e farmacêutica.

Rebeka acrescenta que os estudos in vivo utilizando organismos-modelo têm sido essenciais para compreensão do comportamento de inúmeras doenças por possibilitar ainda a observação do desenvolvimento patológico e a reação corporal diante de diferentes intervenções e novos tratamentos, oferecendo assim resultados preliminares mais seguros antes de testes em seres humanos.

Estudos realizados anteriormente mostraram que a Aloe sp contém várias propriedades terapêuticas importantes, incluindo prováveis efeitos anticâncer e que os ingredientes farmacologicamente ativos estão concentrados tanto no gel quanto na casca da folha.

Rebeka pontua que, embora alguns dados afirmem que o mel seja comparado ao açúcar em seus valores nutritivos e que proteínas, minerais e vitaminas estão em baixa quantidade, tendo, portanto, pouca importância nutricional, há evidências de que o mel seja um agente moderador antitumor, com relevantes efeitos antimetástase.

Ela enfatiza a importância em desenvolver estudos com plantas, o que pode desmistificar muitos aspectos do discurso popular sobre efeitos terapêuticos. Por outro lado, o isolamento das substâncias que compõem uma determinada planta pode trazer ganhos para o desenvolvimento de fármacos. " Setenta por cento dos quimioterápicos utilizados atualmente são derivados de plantas, mas para chegar até a utilização clínica foram necessários anos de estudo. Muitas vezes, as pessoas fazem uso de determinada planta medicinal, mas ela pode conter alguma substância nociva; portanto é essencial o isolamento das substâncias responsáveis pela atividade desejada" , explica.

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde levantados por Rebeka, o câncer é responsável pela morte de quase 8 milhões de pessoas anualmente, sendo que são diagnosticados mais de 11 milhões de novos casos por ano.

As pesquisas multidisciplinares têm sido importantes para estudar a associação de métodos no tratamento de doenças, mas ainda são poucos estudos que fazem associações como o homogeneizado de Aloe vera e mel e a prática de atividades físicas e nutrição. " Fico feliz quando descubro um estudo parecido, pois nosso objetivo é contribuir com outras áreas do conhecimento para garantir qualidade de vida aos pacientes" , conclui Emilianne. (M.A.C.)

Fonte: UNICAMP
   Palavras-chave:   Câncer    Mel    Babosa    Aloe Vera    Caquexia    Unicamp   
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