Saúde Pública
publicado em 21/09/2010 às 22h00:00
   Dê o seu voto:

 
tamanho da letra
A-
A+
Foto: Divulgação
Cena do documentário
  « Anterior
Próxima »  
Cena do documentário "O aborto dos outros", que trata do tema

A crença de que a pílula anticoncepcional de emergência, também conhecida como pílula do dia seguinte, pode provocar um " microaborto" constitui uma das principais barreiras que impedem a sua prescrição por parte dos ginecologistas, apontou estudo de mestrado apresentado na Faculdade de Ciências Médicas (FCM) pelo biólogo William Alexandre de Oliveira. " Isto significa que a percepção que os médicos têm sobre o mecanismo de ação deste tipo de anticoncepcional é um fator relevante para que eles informem ou o prescrevam para suas pacientes" , explica Oliveira. Pelo estudo, a maioria dos médicos ignorava as evidências de que o principal mecanismo de ação da pílula é evitar a fecundação por interferir com a ovulação.

Os resultados da pesquisa, segundo o biólogo, constituem o desdobramento do projeto Conhecimento, Atitude e Prática de Ginecologistas e Obstetras no Brasil, coordenado em 2005 pelo seu orientador, professor Aníbal Faúndes, no Cemicamp (Centro de Pesquisas em Saúde Reprodutiva de Campinas). No total, 3.337 ginecologistas e obstetras brasileiros responderam a um questionário com perguntas sobre aborto e sobre a pílula anticoncepcional de emergência. As questões referentes à pílula foram incluídas no questionário, justamente porque existe o conceito errôneo de que ela interferiria após a fecundação do óvulo e, por isso, seria abortiva.

Mesmo com evidências suficientes de que a pílula age antes da fecundação, o seu uso é associado à interrupção da gestação. " Observa-se que existem ideias pré-concebidas difíceis de serem derrubadas. Não é falta de informação, mas são valores pessoais e questões de formação da pessoa" , explica a coorientadora do estudo, professora Maria José Duarte Osis. Ela acredita que muitos abortos clandestinos poderiam ser evitados, a prescrição do método fosse uma prática usual entre os profissionais de saúde. A professora ressalta ainda que os dados apurados podem servir como parâmetro para que sejam fomentadas discussões neste sentido.

A pílula anticoncepcional de emergência é indicada para aquelas mulheres que desejam evitar uma gravidez não planejada após uma relação sexual desprotegida. No entanto, o método criado pelo canadense Albert Yuzpe, em 1974, ainda encontra muitas barreiras para o seu uso. Formada por uma combinação de estrógeno e progestágeno que impede a fecundação, a pílula precisa ser ingerida nas primeiras 72 horas após a relação sexual. Com, a preocupação dos profissionais de saúde, explica Oliveira, seria o uso indiscriminado, principalmente por parte dos adolescentes, que passariam a utilizar o recurso como rotina.

Desde 1996, a pílula foi introduzida pelo governo federal nas normas de assistência ao planejamento familiar.

A partir de 2000, o Ministério da Saúde começou a adquirir o anticoncepcional para disponibilizar nos serviços atendem mulheres que sofreram violência sexual e, em 2005, passouse a abastecer as unidades básicas deúde do país. Ainda assim o assunto continua a despertar dúvidas. " Não há procura pelo produto nos postos deúde e observam-se as dificuldades dos médicos em lidar com a situação. Mesmo com os esforços do Ministério da Saúde, a pílula continua trancada no armário" , afirma Maria José Osis.

Os dados da pesquisa mostraram que 91,4% declararam que informam suas pacientes sobre o método de emergência e 89,3% já tinham prescrito pelo menos uma vez no decorrer do exercício de sua profissão. Por outro lado, os números indicam que 22,3% acreditam no anticoncepcional como provocador de um microaborto, enquanto outros 56,8% crêem na prevenção da implantação do ovo. Apenas 20,8% dos médicos responderam acertadamente que a pílula anticoncepcional de emergência previne a fecundação, ou seja, age antes da fertilização.

Os dados mostram também que os médicos da região Nordeste informam e prescrevem menos do que os da região

Sul e Sudeste. Já os médicos inseridos no serviço privado de saúde estão mais propensos a informar e rescrever, enquanto os mantidos pelo SUS informam menos.

Outro ponto destacado na pesquisa foi a experiência pessoal dos médicos, que teve relação direta com a indicação do método. Segundo a professora Maria José, aqueles que um dia fizeram uso do método tiveram mais iniciativa de informar e prescrever a pílula para suas pacientes. No entanto, apenas 24,7% usaram o anticoncepcional alguma vez na vida e a maioria, 73,6%, disse nunca ter precisado.

Fonte: UNICAMP
   Palavras-chave:   Anticoncepcional    Pílula do Dia Seguinte    Aborto    Paciente    Prescrição   
  • Indique esta NotíciaIndique esta Notícia
  • Indique esta NotíciaCorrigir
  • CompartilharCompartilhar
  • AlertaAlerta
Link reduzido: 
  • Você está indicando a notícia:
  • Para que seu amigo(a) receba esta indicação preencha os dados abaixo:

  • Você está informando uma correção para a matéria:


Receba notícias do iSaúde no seu e-mail de acordo com os assuntos de seu interesse.
Seu nome:
Seu email:
Desejo receber um alerta com estes assuntos:
Anticoncepcional    Pílula do Dia Seguinte    Aborto    Paciente    Prescrição   
Comentários:
Comentar
Deixe seu comentário
Fechar
(Campos obrigatórios estão marcados com um *)

(O seu email nunca será publicado ou partilhado.)

Digite a letras e números abaixo e clique em "enviar"

  • Twitter iSaúde
publicidade
Jornal Informe Saúde

Indique o portal
Fechar [X]
  • Você está indicando a notícia: http://www.isaude.net
  • Para que seu amigo(a) receba esta indicação preencha os dados abaixo:

RSS notícias do portal  iSaúde.net
Receba o newsletter do portal  iSaúde.net
Indique o portal iSaúde.net
Notícias do  iSaúde.net em seu blog ou site.
Receba notícias com assunto de seu interesse.
© 2000-2011 www.isaude.net Todos os direitos reservados.