Uma equipe de pesquisa da University of Rochester Medical Center, nos Estados Unidos, descobriu que a eliminação de um guardião molecular leva ao desenvolvimento da artrite em ratos. O guardião recém-descoberto é a proteína Gáq ( G alfa q) que determina o destino - a sobrevivência ou a morte - de células danificadas que atacam equivocadamente os próprios tecidos do organismo e levam a doenças auto-imunes, como a artrite.
Compreender melhor como a artrite se desenvolve vai oferecer aos cientistas uma oportunidade de explorar novas formas de tratamentos para pacientes cuja artrite não pode ser tratada eficazmente com as terapias atuais.
"Esta descoberta é um passo encorajador para pesquisadores, clínicos e aqueles que sofrem de artrite", disse a pesquisadora Frances Lund. "Uma vantagem adicional é que esta descoberta pode ajudar na busca de novos tratamentos para outras doenças auto-imunes, como o lúpus."
A proteína no centro da nova descoberta é parte de uma grande via de sinalização que Lund e colegas de todo os Estados Unidos e da China investigaram em camundongos. Gáq regula as células B, um tipo de célula imunológica que o corpo mantém para lutar contra invasores como bactérias, vírus e parasitas. Enquanto a maioria das células B ajuda a proteger o corpo, algumas células B são auto-reativas, elas se voltam contra os próprios tecidos do corpo.
Em camundongos, Gáq normalmente impede as células B auto-reativas de se estabelecerem nos tecidos, suprimindo a via de sinalização pró-sobrevivência descoberta pela equipe de Lund. Quando Gáq é eliminada, as células B auto-reativas são capazes de passar por um ponto de verificação interno que normalmente se livra das células prejudiciais, criando um acúmulo de células que contribui para o desenvolvimento de doenças auto-imunes.
"Existe um subgrupo de pacientes cardíacos que, devido a uma mutação genética herdada, têm elevados níveis de Gáq. Nós estamos analisando agora para ver se alguns pacientes com artrite têm mutações que favorecem a diminuição dos níveis de Gáq. Se descobrirmos esses pacientes, um dia nós poderemos ser capazes de projetar terapia personalizadas para esta sub-população de pacientes com artrite. Nosso objetivo é passar do conhecimento adquirido na pesquisa básica para resultados significativos que acabarão por ajudar os pacientes, e nossa principal conclusão, juntamente com a criação de um novo modelo de rato melhor, nos coloca em uma posição muito forte para isso", concluiu Lund.