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publicado em 25/08/2010 às 17h30:00
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Enfrentar as hepatites tem que ser prioridade do Governo

 
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Foto: Arquivo Pessoal/Grupo Esperança
Jeová Pessin Fragoso, Presidente do Grupo Esperança (Santos)
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Jeová Pessin Fragoso, Presidente do Grupo Esperança (Santos)

As hepatites virais, principalmente as dos tipos B e C, tornaram-se na atualidade uma das maiores preocupações de saúde publica, e tem tirado a qualidade de vida, quando não a própria vida, de um número alarmante de brasileiros. Segundo estimativas da OMS (Organização Mundial da Saúde), cerca de 5 milhões de pessoas estão infectadas com esses vírus no Brasil.

Portador da hepatite C, presido o Grupo Esperança, que tem apoiado as pessoas com hepatites da Baixada Santista, litoral de São Paulo. São mais de 3 mil portadores de hepatites, residentes em nove municípios da região e filiados ao nosso grupo.

Acredito que a visibilidade das hepatites virais foi bem favorecida durante a realização do I Congresso Brasileiro de Prevenção das Hepatites Virais, em junho em Brasília, cuja programação foi integrada ao XVIII Congresso Brasileiro de Prevenção das DST/Aids.

Cerca de 4 mil participantes, entre eles, gestores e funcionários da saúde, que em sua grande maioria já trabalham nos serviços referenciados para DST/aids, estavam presentes. Ativistas do movimento social, representando ONGs também em sua maioria que atuam na luta contra a aids participaram do evento. Aqueles que têm seu foco mais voltado às hepatites foram cerca de 20.

Vale lembrar que as hepatites merecem atenção especial porque raramente apresentam sintomas, têm formas de transmissão que colocam indistintamente qualquer individuo como vulnerável, desenvolvem graves formas evolutivas quando não tratada ou não diagnosticadas precocemente, como a cirrose hepática e câncer do fígado, e ainda têm o acesso dificultado por alguns gargalos, que vão desde a falta de informação dos próprios técnicos de saúde para seu manuseio, aos exames de alta tecnologia, como os de biologia molecular, imprescindíveis para a indicação terapêutica.

Os medicamentos contra as hepatites, sobretudo para a hepatite C, embora tenham evoluído nos últimos anos, "negativando" o vírus de muitos portadores crônicos e estagnando a evolução natural dessa doença, ainda não atingem o conceito de "ótimo". Assim, requerem investimento em pesquisas para o surgimento de novos fármacos, bem como atualizações constantes dos protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas. Essa promessa ao menos parece estar sendo cumprida pelo Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde.

Os medicamentos contra as hepatites são disponibilizados pelo SUS, com compra centralizada pelo Ministério da Saúde, cabendo aos estados da união a solicitação da demanda e distribuição aos municípios, que por sua vez, devem indicar o quantitativo de pacientes para o tratamento, como também proceder a notificação obrigatória dos que são diagnosticados nos seus serviços, processo que infelizmente não é satisfatório na maioria das localidades do país. Isso impede um mapeamento verdadeiro da soroprevalência da população, relevante para a implementação de estratégias e políticas públicas de saúde para o enfrentamento dessa grave e incidente enfermidade.

Por tudo isso, considero que é preciso alentar sobre a urgência em se enfrentar as hepatites, sendo colocada como prioridade de governo.

No final do ano passado, fruto da integração do Programa Nacional de DST/Aids com o Programa Nacional de Controle e Prevenção das Hepatites, foi criado o Departamento de DST, Aids e HEPATITES VIRAIS.

Essa mudança trouxe varias expectativas e, entre elas, o beneficio que poderá ser agregado as hepatites, advindos das experiências com êxito do enfrentamento da aids.

Há agora a necessidade de comprometimento de todos os setores da área de saúde, desde a atenção básica até as referencias de maior complexidade, e isso de uma forma harmônica e comprometida, e assim haver o impreterível entrosamento entre os técnicos que atuam individualmente com uma ou outra enfermidade, e que com a integração, terão que dar a mesma prioridade e importância para as duas patologias.

Seria relevante que o Ministério da Saúde estabelecesse ações programadas, envolvendo as três esferas de gestão, como por exemplo, intensificar as campanhas de orientação e testagem.

É pertinente ressaltar, por fim, que um dos maiores algozes no momento para os portadores de HIV é a co-infecção com as hepatites B e C, e que também a grande maioria das pessoas infectadas com essas hepatites nem sabem dessa sua condição.

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