Uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), encomendada ao instituto Datafolha pesquisa inédita no país, que comprova o desconhecimento da população sobre a saúde respiratória. Denominado Saúde Respiratória e do Pulmão, o estudo que entrevistou 2242 brasileiros com 16 anos ou mais, pertencentes a todas as classes econômicas, colocou os médicos pneumologistas em estado de alerta, pois o atraso em diagnóstico e tratamentos, na especialidade, evolui rapidamente para quadros bem mais graves.
Entre as principais conclusões destaque para o fato de mais de 70% da população desconhecer como se chega ao diagnóstico da gripe. Também foi muito alto o índice de pessoas que confessam se automedicar e fazer uso de receitas caseiras na tentativa de sanar o problema que pode, inclusive, levar à morte, como é o caso da gripe A.
Segundo os resultados do levantamento, a desinformação começa já na prevenção das doenças respiratórias, que é extremamente importante para a redução dos altos índices existentes no país, especialmente no caso das contagiosas, como a gripe e o resfriado. Mas como é possível a população se prevenir sem informação? E esta foi uma das constatações da pesquisa.
Tanto a gripe, como o resfriado, explica a dra. Jussara Fiterman, presidente da SBPT, são infecções respiratórias causadas unicamente por vírus. " A maior prevalência no inverno é justificada pelo aumento da aglomeração de pessoas em locais menos ventilados, facilitando a disseminação do vírus e consequente contaminação" .
No entanto, 81% dos entrevistados acreditam erroneamente que as doenças podem ser causadas ou agravadas pelo clima frio ou úmido. Também houve quem dissesse que o problema está no ar-condicionado (54%), pó ou poeira (50%), poluição (38%) ou cigarro (29%). A confusão é tanta que não fumar foi apontado pela a grande maioria (63%) como a principal medida preventiva para estas doenças pulmonares infecciosas.
Para Roberto Stirbulov, presidente-eleito da SBPT, algumas das respostas equivocadas da população sugerem mais do que desinformação. " Dados como estes, e especialmente frente à grande citação de ar condicionado, pó e poeira, sugerem que as pessoas possam estar confundindo a asma ou a rinite à gripe ou resfriado. São portadores de doenças crônicas que acreditam que, a cada episódio, estejam contraindo novo resfriado" .
Alguns dos principais sintomas, comuns ao resfriado e a gripe, foram citados na pesquisa, como febre/calafrio (50%), tosse (43%), coriza (45%), indisposição (45%). No entanto, outros sintomas que não estão relacionados às doenças também foram registrados pelos pesquisadores, tais como falta de ar, chiado no peito, falta de apetite, emagrecimento. Além disso, 2% dos entrevistados que afirmaram conhecer as doenças não souberam especificar um único sintoma.
O diagnóstico da gripe ou do resfriado é essencialmente clínico, realizado em consultório médico, por meio de exame físico e de uma conversa com o especialista sobre as queixas do paciente. No entanto, somente 2% das pessoas responderam que não é necessário realizar nenhum exame complementar. Um fato alarmante foi que 36% dos entrevistados não souberam dizer como se pode detectar a doença. Outros grupos sugeriram, equivocadamente, exames como a escuta do pulmão (36%), raio-x (22%), ou o teste do escarro (12%), utilizado no diagnóstico da tuberculose, além de citações de tomografia, espirometria, broncoscopia, e até de exames de sangue.
Um total de 43% das pessoas afirmaram tomar medicamentos como antigripais, antitérmicos, analgésicos e injeções por conta própria. As receitas caseiras, como sopas, chás, mel ou xaropes feitos artesanalmente são a solução encontrada por 39%. Apesar de a maioria concordar com a afirmação " quando uma pessoa pega gripe ela deve procurar um médico" , apenas 19% o fizeram nos últimos 12 meses.
Também foi possível observar que o uso de receitas caseiras é maior entre os moradores do Nordeste, entre os mais velhos, entre os pertencentes às classes D/E e entre os com escolaridade fundamental, enquanto a procura por um médico é mais expressiva entre as mulheres.
Um dado que assustou os médicos pneumologistas foi que 29% não sabem a que especialista recorrer em caso de gripe. O clínico geral foi o mais citado, com 59% das respostas. Enquanto que o pneumologista, especialista em doenças do sistema respiratório, como a gripe, recebeu somente 5% das citações. Outras citações, em menor quantidade, foram otorrinolaringologista (1%), infectologista (1%) e alergista (1%).