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publicado em 14/08/2010 às 21h00:00
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O alto índice de aproveitamento dos policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) virou objeto de estudo de cientistas do Laboratório de Mapeamento Cerebral e Integração Sensório-Motora da Universidade Ferederal do Rio de Janeiro (UFRJ). Com apoio do Instituto de Neurociências Aplicadas (INA) e da Fundação de Amparo à Pesquisa (Faperj), os pesquisadores acompanharam os cursos de formação do Bope e desenvolveram instrumentos para auxiliar o treinamento do batalhão. Durante dois anos, de 2007 a 2009, realizaram uma série de testes a fim de avaliar de que forma a neurociência pode contribuir com a formação dos PMs e com a prevenção de erros cometidos no desempenho de suas funções.

" Recentemente, vários tipos de deslizes cometidos por policiais vieram à tona. O aspecto que estudamos é o da tomada de decisão, isto é, todo o processo de identificação que envolve a integração da informação do meio com a experiência prévia do indivíduo. A partir desse processo, uma resposta é escolhida e executada, que pode ser adequada ou não" , explica a psicóloga Bruna Velasques, doutoranda do Laboratório de Mapeamento Cerebral e Integração Sensório-Motora da UFRJ.

De acordo com o professor do Instituto de Psiquiatria (Ipub) da UFRJ e coordenador do projeto, Pedro Ribeiro, " com o estudo, podemos entender aspectos cerebrais de policiais e levá-los à melhor avaliação possível das situações, na tentativa de diminuir os índices de erros" . O coordenador diz ainda que " se levarmos em consideração o número de operações do Bope, o montante de pessoas envolvidas, tanto do batalhão como das comunidades, vemos que se trata de um número muito baixo de fatalidades" .

O objetivo do projeto é evitar a repetição de erros e acidentes graves, que, segundo Ribeiro, " são perfeitamente evitáveis com treinamento constante e eficiente" . O estudo conclui principalmente que a tecnologia aliada ao treinamento constante pode melhorar significativamente o desempenho dos policiais. "Boa parte das falhas que policiais cometem tem a ver com a questão do treinamento. Um policial bem treinado ganha mais consciência da importância do seu trabalho e das consequências de seus atos. Logo, ele tende a evitar os erros", avalia o pesquisador.

Implementação de sistemas nos treinamentos

A partir do conceito de " tomada de decisão" , foram implementados sistemas dentro do treinamento do Bope a fim de testar as funções cognitivas, a capacidade de memória, atenção e a tomada de decisão. " Pensamos em sistemas simples e baratos que englobassem o conceito da tomada de decisão. É preciso condicionar o policial a uma tomada de decisão acertada e consciente, ao invés de uma resposta automática, isto é, o policial precisa ter controle sobre aquilo que executa" , observa Ribeiro.

Foram realizados diferentes tipos de treinamentos a partir de equipamentos criados pelos próprios pesquisadores. Na avaliação, os policiais do Bope mostraram que podem exercer diversas funções simultâneas, ativando várias áreas do cérebro. " Isso ocorre porque, com o treinamento, desenvolvem, entre outras coisas, percepção, raciocínio rápido e capacidade de tomar decisões em situações extremas" , explica Bruna Velasques.

Os aparelhos empregados na pesquisa estão sendo gradualmente incorporados ao treino no Bope e a PM estuda estender o projeto a outras unidades. " A ideia é introduzir os treinamentos nos cursos de formação para desenvolver a percepção dos policiais militares de outros batalhões de modo a reduzir o número de erros e acidentes" , diz o coordenador.

Outras unidades militares

Pedro Ribeiro e Bruna Velasques fizeram uma breve análise do desempenho dos policiais do Bope e compararam a outros batalhões a partir da experiência de dois anos em que acompanharam os treinos da tropa de elite. De acordo com Velasques, " podemos apontar o treinamento e a exposição como fatores diferenciais. O treinamento e a prática diários aprimoram a habilidade e refletem no desempenho, o que infelizmente ainda é muito precário em outros batalhões" .

" Trata-se de um grau de combate que só encontramos em aparatos militares. Treinamento é um aspecto fundamental em qualquer atividade, inclusive na policial. É preciso treinar continuamente a tomada de decisão de modo a diminuir as lacunas na formação militar, especialmente sob o estresse das situações de risco" , complementa Ribeiro.

A psicóloga observa que " os policiais que estão diretamente nas ruas, em contato no dia a dia com a sociedade, não têm tanta exposição a esse treinamento pontual, o que acarreta sérios riscos" .

Fonte: UFRJ
   Palavras-chave:   Neurociência       Mapeamento    Cérebro    Policial    Bope    UFRJ   
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